"Perdi meus sonhos", diz mulher que ficou paraplégica após tratamento para endometriose

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Um mês após o casamento, em busca de cura para dores causadas pela endometriose, a técnica de enfermagem Bruna Conceição dos Santos, 25 anos, se submeteu a um tratamento com fenol em uma clínica particular do Distrito Federal, em maio de 2024. Após o procedimento, ao invés de alívio, perdeu os movimentos das pernas e os sonhos.


“Perdi o sonho de ter o sonho de ter um progresso maior na minha vida profissional. O sonho de ser ainda mais independente do que eu era. O sonho talvez de poder ter filhos. Esse sonho ficou para trás. Não se sabe se eu vou poder ou não ser mãe dos meus próprios filhos”, lamentou Bruna.


Veja:


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Bruna perdeu os movimentos das pernas logo após tratamento em uma clínica particular no DF

Material cedido ao Metrópoles
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Bruna se casou um mês antes da perda dos movimentos das pernas

Material cedido ao Metrópoles
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A técnica de enfermagem vivia uma vida ativa e praticava esportes

Material cedido ao Metrópoles
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Bruna passou a cantar para enfrentar a dor

Material cedido ao Metrópoles
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A paciente entrou na Justiça em busca de reparação pela suposta imperícia médica

Material cedido ao Metrópoles


O sonho da maternidade é praticamente impossível. “Por contas das duas situações, e a real situação em que me encontro, na perda do movimento das pernas. E também pela endometriose. Na última consulta, o médico perguntou se eu tinha o desejo de ter filhos. Eu falei que sim. E ele se manteve calado. No momento, não é possível”, contou.


Segundo Bruna, a perda de movimento nas pernas é irreversível. A técnica de enfermagem passou a fazer fisioterapia para evitar a atrofia dos membros.


A Defensoria Pública do DF (DPDF) entrou com uma ação na Justiça contra a clínica particular L’Essence e o médico Lucas Franca, responsáveis pelo procedimento. Segundo o órgão, houve suposta imperícia médica. Ambos negam falha no atendimento (leia mais abaixo). O caso é investigado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM-DF).



Antes de perder os movimentos dos membros inferiores, Bruna gostava cantava. Depois do procedimento se isolou, mas, agora, decidiu voltar para música na igreja. Nas melodias, encontra forças para enfrentar os desafios.


“Me sinto como se estivesse em um buraco. Minha vida mudou por completo. Às vezes penso estar em um pesadelo, em que algum momento vou acordar e tudo vai passar. São muitas terapias com a psicóloga. É muito difícil aceitar, me ver em uma cadeira de rodas e ter uma vida totalmente dependente. Não posso ir ao banheiro”, comentou.

Antes, mesmo com as dores provocadas pela endometriose, Bruna vivia com intensidade. Tinha prazer em arrumar a casa. Amava ir ao trabalho. E nos momentos de descontração, praticava corrida, andava de patinete e pedalava. Para a técnica de enfermagem, ficar na cama ou na cadeira de rodas é extremamente depressivo.


“Eu tinha acabado de voltar de uma lua de mel maravilhosa. Estava começando uma vida. O baque foi enorme”, afirmou. O marido de Bruna, Maxwell Gonçalves Dourado, 30, passou a trabalhar em casa para cuidar da esposa. Com amor e dedicação, provê todas as necessidades da companheira, do banho à alimentação.


Neuroestimulador


Bruna começou a sentir dores em 2022 no abdômen e na região pélvica, especialmente ao sentar. Buscou tratamento e um médico recomendou o implante de um neuroestimulador sacral. Mas os custos com profissional para o procedimento não estavam cobertos pelo plano de saúde da técnica de enfermagem.


Bruna procurou uma clínica que fizesse o implante pelo plano e, assim, chegou à clínica L’Essence. No local, o médico disse que ela teria que passar por procedimentos que seriam requisitos para o implante.


A paciente passou por 10 sessões de bloqueio venoso simpático para aliviar a dor, mas não houve melhora. O médico sugeriu um bloqueio do nervo hipogástrico com anestésico, no centro cirúrgico. Sem sucesso, o profissional, então, teria indicado um bloqueio do nervo com fenol.


“O fenol iria destruir o nervo que irradiava a dor para o meu cérebro. Ia queimar esse nervo. Quando saí do procedimento, estava na cadeira de rodas. Perdi as forças motoras das minhas pernas”, relatou.


Sem conseguir ficar em pé, Bruna buscou explicações junto ao médico e à clínica. “Fizemos exames. E ele disse que eu tinha hérnia de disco. Fiz ressonância, mas não deu hérnia de disco. A partir daí não tive mais assistência do doutor”, contou. De acordo com Bruna, exames comprovaram a destruição dos nervos, por isso, o quadro seria irreversível. A família buscou o CRM-DF, a DPDF e um novo tratamento.


“Não quero que outras pessoas passem pelo o que passei. Quero que avaliem bem o médico nas consultas e para fazer procedimentos. Que elas peçam os riscos da cirurgia. Não vão apenas pela confiança”, pontuou.


Risco do fenol


Do ponto de vista do defensor público e chefe do Núcleo de Assistência Jurídica de Defesa do Consumidor (Nudecon), Antônio Carlos Cintra, o caso é um exemplo dos riscos do fenol. Segundo o defensor, chama a atenção a opção do médico acusado em usar a substância ou invés de realizar o implante previamente recomendado.


“Informação passada para Bruna foi insuficiente, mas em especial no que toca aos riscos do fenol. É uma clara negligência em não informar a paciente o risco. O estudos mostram que 3% a 5% dos casos acaba tendo lesão. Neste caso, a dor estava próxima a um nervo muito sensível e esse risco precisava ter sido informado”, alertou.


Para Cintra, também houve suposta negligência quando o profissional optou por um tratamento tão arriscado, quando havia opção menos arriscada. “E finalmente há uma imperícia no tratamento. Deixou uma paciente saudável sem a capacidade de deambular”, arrematou.


Um mês após a fenolização de Bruna, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) editou a resolução nº 2.384/24, proibindo o uso de fenol em procedimentos, pela elevada periculosidade. A ação da DPDF pede indenização por dano moral, estético, pensão vitalícia, pagamento de plano de saúde e custeio do tratamento de saúde.


Outro lado


O Metrópoles entrou em contato com a clínica e com o médico envolvidos na denúncia. Ambos negaram qualquer falha no tratamento. Segundo a defesa de Lucas Franca, o tratamento foi indicado para um quadro de dor pélvica crônica refratária, resistente a múltiplas abordagens medicamentosas e fisioterápicas.


De acordo com o médico, a neurólise química do plexo hipogástrico superior com fenol é um procedimento previsto em protocolos internacionais de dor intervencionista, descrito em publicações médicas amplamente reconhecidas e adotado em centros especializados no Brasil e no exterior.


Em nota enviada a reportagem, garantiu ter informado os riscos do tratamento à Bruna. “A paciente foi informada sobre riscos, benefícios e alternativas terapêuticas, tendo sido colhido Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, validado pela equipe de enfermagem e arquivado junto ao prontuário hospitalar”, declarou.


Segundo o médico, o procedimento foi realizado em ambiente hospitalar, sob rigorosos protocolos de segurança e controle radiológico, com dispersão adequada do contraste e sem intercorrências imediatas. Destacou que qualquer procedimento invasivo envolve riscos, ainda que executado com técnica correta e dentro dos parâmetros éticos.


“As complicações neurológicas relatadas na literatura para este tipo de tratamento são raras (1% a 2% dos casos) e não configuram imperícia, imprudência ou negligência quando todos os cuidados técnicos são observados, como ocorreu neste caso”, justificou.


Clínica


A L’Essence argumentou que os procedimentos ocorreram em dois hospitais com infraestrutura própria, equipe assistencial e responsabilidade direta pelos atos médicos executados em suas dependências. Alegou também que realiza atendimentos médicos especializados e procedimentos minimamente invasivos de baixa complexidade.


“Nos casos de neurólises e procedimentos de maior complexidade, é rotina da equipe encaminhar e realizar tais intervenções exclusivamente em ambiente hospitalar, justamente para assegurar os mais altos padrões de segurança ao paciente.  A clínica não tem qualquer envolvimento direto com o evento clínico em questão, limitando-se ao acompanhamento ambulatorial da paciente antes do encaminhamento hospitalar”, declarou.






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10 livros que prometem encantar os pequenos no Dia das Crianças

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O Dia das Crianças costuma ser lembrado pelos presentes e brincadeiras, mas também pode ser uma oportunidade de incentivar a leitura desde cedo e apresentar novos temas aos pequenos.


Para ajudar nessa missão, o Metrópoles selecionou 10 livros infantis e infanto-juvenis perfeitos para ler junto ou, ainda, para presentear na data. Confira:



Leia também



10 livros para ler com os pequenos


Ney Matogrosso, o Bicho do Mato  (Ed. Garotinha FM)


A trajetória de Ney Matogrosso ganha uma versão especial para o público infantil com o livro Ney Matogrosso: O Bicho do Mato, escrito por Chris Fuscaldo e Camilo Solano e ilustrado por Isabela Sultani.


Com narrativa lúdica e ilustrações vibrantes, “Ney Matogrosso: O Bicho do Mato” conta a história do menino que cresceu entre árvores, frutas e animais, descobrindo o poder de sua voz e transformando seu jeito único em uma das trajetórias mais marcantes da música brasileira.


Imagem colorida da capa do livro Ney Matogrosso - O Bicho do MatoNey Matogrosso, o Bicho do Mato  (Ed. Garotinha FM)

A Incrível Viagem de Stela, de Simão de Miranda (Ed. Colli Books)


Movida pela curiosidade e pelas histórias das estrelas mais velhas da Via Láctea, Stela, a estrela curiosa, explora planetas fascinantes e paisagens estelares surpreendentes. No entanto, em meio a tanta beleza, ela descobre que seu verdadeiro lar – e o mais especial de todos – é o planeta Terra. A obra tem ilustrações de Isabella Barbosa.


Imagem colorida da capa do livro A Incrível Viagem de Stela, de Simão de Miranda (Ed. Colli Books)A Incrível Viagem de Stela, de Simão de Miranda (Ed. Colli Books)

Nem Sabe Escrever Brazsília, de Nicolas Behr, Cacá Soares e Marco Miranda


E se fosse possível conhecer um pouco mais da capital federal brincando de colorir? Na obra Nem Sabe Escrever Brazsilia, os pequenos conhecem a capital federal por meio de poemas e desenhos interativos, sob a perspectiva da visão de uma criança.


Os autores Nicolas Behr, Cacá Soares e Marco Miranda segurando o livro Nem sabe escrever BrazsíliaOs autores Nicolas Behr, Cacá Soares e Marco Miranda

Pocket Potters: Guia de Histórias de Harry Potter, de J.K. Rowling (Ed. Rocco)


Pocket Potters é uma coleção de guias oficiais e ilustrados que apresenta os personagens do mundo de Harry Potter para crianças de forma acessível e envolvente, cheios de momentos importantes, frases marcantes, informações sobre feitiços, criaturas mágicas e curiosidades do universo Hogwarts.


Os primeiros livros lançados no Brasil são dos personagens Harry Potter, Hermione Granger e Rony Weasley. As capas foram ilustradas por Natalie Smillie, Laura Proietti e Olia Muza, respectivamente.


3 imagensLivro Pocket Potters: Guia de Histórias de Harry Potter: capa da HermioneLivro Pocket Potters: Guia de Histórias de Harry Potter: capa da Rony WeasleyFechar modal.1 de 3

Livro Pocket Potters: Guia de Histórias de Harry Potter: capa da Harry Potter

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Livro Pocket Potters: Guia de Histórias de Harry Potter: capa da Hermione

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Livro Pocket Potters: Guia de Histórias de Harry Potter: capa da Rony Weasley

Divulgação

Trança a Trança, de Madu Costa (Ed. Intrínseca)


Sentada entre as pernas da avó Nica, a menina conhece a história de seus antepassados, que se mistura aos padrões das tranças em seu cabelo, enquanto desenha no chão de terra do quintal. São tradições e, principalmente, crenças que continuam presentes no cotidiano da família, mesmo com a tentativa de apagamento forçada pela sociedade. A obra foi ilustrada por Ana Paula Sirino.


Capa colorida do livro Trança a Trança, de Madu CostaTrança a Trança, de Madu Costa (Ed. Intrínseca)

Guardiões da Criação: Uma Aventura pelos Biomas Brasileiros , de Susana Klassen  (Ed. Mundo Cristão)


Da Amazônia à Caatinga, do Cerrado à Mata Atlântica, do Pantanal ao Pampa, o livro conduz os leitores em uma viagem apaixonante pelos biomas do Brasil. A cada página, os guardiões da natureza compartilham as belezas, os desafios e as esperanças de sua região. A obra foi ilustrada por Bibi Mizu.


Capa colorida do livro Guardiões da Criação: Uma Aventura pelos Biomas Brasileiros , de Susana Klassen Guardiões da Criação: Uma Aventura pelos Biomas Brasileiros , de Susana Klassen  (Ed. Mundo Cristão)

Mundo Mágico: O Resgate de Flora, de Bel Ito (Ed. Amarelinha)


Escrita pela autora mirim Bel Ito, a obra de fantasia infantojuvenil acompanha três jovens fadas em uma aventura repleta de coragem, amizade e descobertas, após o misterioso desaparecimento da poderosa guardiã Flora.


Escrita ao longo de dois anos, a narrativa traz à tona temas como autoconfiança e determinação e reafirma a crença da autora no poder transformador da literatura. A obra foi ilustrada por Erika Mitie.


Capa colorida do livro Mundo Mágico: O Resgate de Flora, de Bel Ito Mundo Mágico: O Resgate de Flora, de Bel Ito (Ed. Amarelinha)

Argo, Nau de Aventuras, de Severino Rodrigues (Ed. Leiturinha)


A maior viagem marítima de todos os tempos! Conheça a história de Jasão e os Argonautas por um ponto de vista inédito: o do próprio navio Argo. Enfrente tempestades e perigos em um conto épico sobre coragem e a busca pelo Velocino de Ouro. A obra foi ilustrada por Fih de Baiano.


Capa colorida do livro Argo, Nau de Aventuras, de Severino RodriguesArgo, Nau de Aventuras, de Severino Rodrigues (Ed. Leiturinha)

O Trinca-ferro e o Prisioneiro, de Cristino Wapichana (Ed. Rocquinho)


Um canto de uma ave é um canto livre, embora alguns queiram aprisioná-lo em gaiolas. Essa é a história de um pássaro trinca-ferro que nasceu para cantar, mas foi separado de sua família e preso em uma gaiola, para que seu canto virasse mercadoria. Sozinho e triste, é levado de um lugar a outro, longe de seu hábitat natural. Quando é posto dentro de uma cela maior ainda, na companhia de outro prisioneiro, sua voz doce transmite uma lição a todos nós sobre liberdade, silenciamento e justiça. A obra foi ilustrada por Taísa Borges.


Capa colirida do livro O Trinca-ferro e o Prisioneiro, de Cristino WapichanaO Trinca-ferro e o Prisioneiro, de Cristino Wapichana (Ed. Rocquinho)

Murdle Jr.: Casos Curiosos para Mentes Curiosas, de G. T. Karber (Ed. Intrínseca)


Esta obra apresenta quarenta minimistérios voltados ao público infantojuvenil. Na trama, os mais diversos casos são resolvidos por quatro detetives mirins: Jake, a durona; Olivia, a gênia da computação; Julius, o rápido; e o maior dedutivo felino do mundo, Buster McPatas.


Cada um deles precisa desvendar uma série de mistérios especiais — com suspeitos desconcertantes o suficiente para confundir até o detetive mais sábio. Cabe ao leitor colaborar com as investigações, encontrando os culpados e liderando essa equipe inusitada até a resolução dos casos.


Capa colorida do livro Murdle Jr.: Casos Curiosos para Mentes Curiosas, de G. T. KarberMurdle Jr.: Casos Curiosos para Mentes Curiosas, de G. T. Karber (Ed. Intrínseca)





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Infância roubada: 12 mil crianças são vítimas de trabalho infantil no DF

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Neste domingo (12/10), enquanto o Brasil celebra o Dia das Crianças, cerca de 12.037 meninos e meninas seguem fora da escola enquanto são exploradas pelo mercado de trabalho no Distrito Federal. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o trabalho infantil ainda é uma realidade para muitas crianças e adolescentes no país, muitas vezes em atividades insalubres ou perigosas. A data, marcada por comemorações, também escancara a desigualdade no acesso à infância plena e protegida.


Todavia, os números do Diagnóstico Ligeiro do Trabalho Infantil, extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgado em setembro deste ano, mostram que o número de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho no DF caiu de 17.538 para 12.037, entre 2023 e 2024. Essa queda representa uma redução de 31,4% no período analisado.


6 imagensFiscalização contra o trabalho infantilTrabalho infantilFechar modal.1 de 6Valter Campanato/Agência Brasi2 de 6Reprodução3 de 6Valter Campanato/Agência Brasil4 de 6

Fiscalização contra o trabalho infantil

Ministério do Trabalho5 de 6

Trabalho infantil

Reprodução/Ministério do Trabalho6 de 6Buda Mendes/Getty Images

O resultado coloca a capital do país entre as oito Unidades da Federação que conseguiram reduzir o trabalho infantil, em contraste com o cenário nacional, onde o trabalho infantil no Brasil teve um aumento de 2,1% entre os dois anos.


Considera-se trabalho infantil toda atividade econômica ou de sobrevivência, com ou sem finalidade de lucro, remunerada ou não, realizada por criança ou adolescente com idade inferior a 16 anos, ressalvada à condição de aprendiz a partir dos 14 anos, independentemente da condição ocupacional.


Os adolescentes de 16 e 17 anos podem trabalhar, mas com restrições. O trabalho não pode ser insalubre, perigoso, noturno, penoso ou prejudicial à moralidade. Além disso, é vedada a realização de trabalhos que causem prejuízos ao desenvolvimento físico, psíquico, moral e social e em horários e locais que não permitam a frequência à escola.


A queda nos números absolutos garantiu ao DF a segunda posição no ranking de redução percentual. Em termos absolutos, foram 5.501 crianças e adolescentes a menos nessa situação de exploração.


O DF também apresenta uma das menores taxas de trabalho infantil do país, ficando em 2,3% em 2024, comparado à taxa nacional de 4,3%.


Em entrevista ao Metrópoles, Roberto Padilha, Coordenador Nacional de Fiscalização de Trabalho Infantil do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), confirmou que a redução de casos no DF é um destaque positivo, mas ressaltou que o fenômeno é complexo e a causa dessa queda ainda está em estudo.


“O trabalho infantil é um fenômeno complexo. As ações e os impactos sobre a redução ocorrem a partir de um conjunto de ações e políticas. Aqui, se pode apontar a melhora das políticas públicas, a questão da melhora econômica e a redução do desemprego, que causam impactos, com certeza, sobre o trabalho infantil”, explicou Padilha.


O coordenador destacou que a intensificação do trabalho de fiscalização pelo MTE em todo o Brasil – incluindo operações que resgataram 168 adolescentes na Bahia e 107 em Minas Gerais – também contribui para a redução dos números.


Piores Formas de Trabalho Infantil


As Piores Formas de Trabalho Infantil são as atividades que mais oferecem riscos à saúde, ao desenvolvimento e o moral das crianças e dos adolescentes, com base no Decreto Nº 6.481, de 12 de junho de 2008.


Proposta pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Convenção 182, as piores formas incluem escravidão, venda e tráfico de crianças, exploração sexual, realização de atividades ilícitas, entre outras.


Na luta contra as formas mais graves de exploração, o Distrito Federal também demonstrou progresso, com uma redução no trabalho infantil nas piores formas. O número de casos caiu de 4.420 em 2023 para 3.336 em 2024, uma redução de 24,5%.


A nível nacional, houve uma redução de 5,1% nas Piores Formas de Trabalho Infantil. No entanto, enquanto 14 Unidades da Federação registraram redução, 13 viram um aumento.


De acordo com Padilha, entre as piores formas mais comumente encontradas nas fiscalizações, estão o trabalho com produtos químicos perigosos, operação de máquinas e equipamentos perigosos e trabalho em altura, em carguaria ou a céu aberto em condições laborais extremas.


Atendimento a vítima de trabalho infantil


O fluxo tem início com o recebimento das denúncias pela Auditoria Fiscal do Trabalho. Quando a exploração é confirmada, o responsável é notificado a retirar a criança ou o adolescente da situação irregular, quitar os direitos trabalhistas devidos e responder a autos de infração e multas.


Padilha detalhou que a atuação da Inspeção do Trabalho no combate ao trabalho infantil vai além da repressão. “Nós buscamos a inclusão de adolescentes retirados do trabalho infantil a partir de 14 anos na aprendizagem profissional e o encaminhamento de todas crianças e adolescentes para a rede de proteção”, afirmou o coordenador.


Após a fiscalização, os dados das vítimas são encaminhados ao Conselho Tutelar, ao Ministério Público Estadual e às Secretarias Municipais de Assistência Social, Saúde e Educação, que passam a acompanhar o caso e incluir o jovem e sua família em políticas públicas e programas de proteção social.



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Canais de denúncia


A denúncias de trabalho infantil podem ser feitas por canais como Disque 100, no site do MPT, no sistema Ipê de trabalho infantil do Ministério do Trabalho, perante Conselhos Tutelares, Promotorias e Varas da Infância e demais órgãos integrantes do Sistema de Garantia de Direitos.


“Os dados relacionados ao trabalho infantil são muito importantes e decisivos para a definição de ações de fiscalização e políticas públicas de combate à exploração de menores. Nós temos formas de trabalho infantil que chamamos de trabalho infantil invisível, aquele que não está evidente no dia a dia, como, por exemplo, o doméstico. E os canais de denúncia, especialmente para esse tipo de trabalho infantil, são muito potentes”, frisa Padilha.


No DF, a população tem acesso ao Ligue 125, canal desenvolvido pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) para facilitar a comunicação de casos de violações de direitos humanos de crianças e adolescentes.


As ligações no 125 são recepcionadas pela Coordenação do Sistema de Denúncias de Violação dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cisdeca) e os casos repassados para análise e apuração do Conselho Tutelar do local da ocorrência.





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Rap e funk sofrem com conservadorismo, mas ampliam espaço no Grammy

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Artistas do rap, do trap e do funk se tornaram destaques nas plataformas musicais e conquistaram uma legião de fãs pelo Brasil. Mesmo com o reconhecimento do povo, os acessos a premiações renomadas, como o Grammy Latino, ainda é restrito e conservador.


Em 2025, nomes como Djonga, BK’ e MC Hariel foram indicados a premiação, mas o fato dos artistas terem sido selecionados por faixas em que contam com colaborações de cantores da MPB chama atenção.


BK’ foi indicado pela música Só Quero Ver, com a cantora Evinha. Djonga ascendeu ao Grammy Latino com a parceria com Milton Nascimento em Demoro A Dormir. MC Hariel, por sua vez, contou com Gilberto Gil e está no prêmio com o single A Dança. Segundo o jornalista, escritor e pesquisador Adailton Moura, as indicações são um reflexo do atual cenário musical.


“Essas parcerias são importantes para levar determinado gênero para outro ambiente. Hoje, as cenas musicais estão cada vez mais diluídas. Então, se aliar à MPB é uma boa estratégia para se destacar, tendo em vista que ela é mais ‘palatável’ para os ouvidos conservadores da maioria dos membros votantes da Academia do Grammy”, explica.


3 imagensMilton Nascimento e DjongaEvinha e BK'Fechar modal.1 de 3

Gilberto Gil e Hariel

Divulgação/Renan Miranda2 de 3

Milton Nascimento e Djonga

Reprodução3 de 3

Evinha e BK'

Reprodução

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As músicas foram indicadas na categoria Melhor Interpretação Urbana em Língua Portuguesa, o que também gera controvérsia entre a cadeia musical. Nos Estados Unidos, por exemplo, artistas como Tyler The Creator questionam a utilização da nomenclatura “música urbana” como uma forma de colocar artistas negros em uma caixinha nas premiações.


Para o curador musical e youtuber Pietro Reis, isso se reflete no Brasil. Ele acredita que estilos como o funk e o rap deveriam ter categorias próprias.


“Acho que não é um erro afirmar que o tratamento é diferente. Eu vejo que essa ‘música urbana’ está tendo cada vez mais espaço e que, de certa forma, as pessoas veem nesses feats com grandes medalhões da MPB uma certa validação do trabalho desses artistas. Mas eles não precisam dessa validação, por si só eles têm feito trabalhos incríveis”, inicia.


“Esses artistas podem ser olhados com mais carinho pelas premiações, mas entendo e vejo que o espaço que eles estão alcançando é cada vez maior”, afirma.

Mais visibilidade em premiações


O crescimento dos funk, trap e rap é evidenciado com as indicações de BK’ em Melhor Vídeo Musical Versão Curta e de Djonga em Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa. Porém, as categorias em que os rappers foram indicados ainda soam genéricas para um estilo tão popular no Brasil, como protesta Adailton Moura.


“Como não dá para ignorar esses gêneros, que são os mais consumidos no mundo, a Academia teve que criar uma forma de inseri-los em suas premiações. Não é o ideal, mas também mostra o poder que esses gêneros possuem. Mas, pensando que cada gênero possui características e pela representatividade de cada um dentro da indústria, o mais viável seria que estivessem em categorias diferentes, o que daria também mais possibilidade para que outros artistas participassem da disputa.”


Pietro Reis, por outro lado, pontua a dificuldade do próprio ouvinte brasileiro em reverenciar a música nacional, dificultando o crescimento dos artistas brasileiros em premiações mais renomadas que englobam um continente inteiro.


“É difícil dizer o que falta para que as indicações sejam ampliadas. Precisamos entender o funk como arte, em suas nuances e complexidades. Nem o brasileiro médio entende que o nosso funk é riquíssimo, por exemplo. Por que a gente esperaria que alguém lá de fora fosse dar esse valor ao gênero? Com o tempo, a notoriedade de outros artistas do gênero vai aumentar, a qualidade também, e eles eventualmente vão alcançar mais indicações”, reflete.


Celebração contida


Os artistas também falaram sobre as indicações ao Grammy Latino. MC Hariel celebrou a oportunidade, mas fez lobby para mais espaços para o funk, gênero que canta desde o início da carreira.


“Cada música que faço carrega uma parte da minha história e da minha comunidade. Essa indicação mostra que o funk, nossa cultura, tem espaço e merece ser celebrado em qualquer lugar do mundo”, afirma.


Djonga, por sua vez, foi ainda mais contido ao falar sobre a presença na premiação e fez questão de ressaltar toda a luta que teve para ser indicado, mesmo com o grande reconhecimento nacional há anos.


“Eu estou muito feliz mesmo com a indicação. Mas penso também no momento que a gente vive, de como a arte tem sido tratada. Então, pra fazer o que a gente faz é muita luta. Talento eu nem sei se eu tenho, mas luta… luta eu tenho demais. É luta atrás de luta… a palavra é essa. O Grammy está lá, é meio que uma coroação. Só estar lá já é muito legal. Parece que mostra, pelo menos, que essa luta vale a pena. Mas eu vejo como uma coisa no meio de várias outras”, completa.


A cerimônia do Grammy Latino está marcada para 13 de novembro, na MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, nos Estados Unidos. No total, 60 categorias estarão em disputa.





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Saiba quem é advogado que ficou “bebaço” e rasgou rosto de funcionário

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O advogado que foi preso após importunar sexualmente duas colegas de profissão e rasgar o rosto de um promotor de eventos durante uma festa no Royal Tulip Brasília, nessa sexta-feira (10/10), foi identificado como Adonis Martins Alegre (foto abaixo), de 35 anos.


A coluna Na Mira apurou que ele é do Rio Grande do Sul e estava no DF para participar de uma confraternização promovida por uma por uma plataforma jurídica digital.


Veja quem é o advogado preso:


Print de tela - Metrópoles


Segundo os depoimentos, Adonis teria agido de forma inadequada com uma advogada, passando a persegui-la por diferentes dependências do hotel, do restaurante e até no pub, ultrapassando o limite do flerte tolerável.



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Em outro momento, Adonis teria passado a mão nas nádegas de outra advogada. Um dos promotores do evento presenciou a ação e interveio para tentar proteger a vítima. Adonis, então, quebrou uma taça de vinho e com ela golpeou o rosto do homem.


A vítima foi imediatamente socorrida por outros participantes, enquanto o advogado foi contido até a chegada da Polícia Militar (PMDF), que o conduziu à 5ª Delegacia de Polícia (Área Central), onde ele foi preso em flagrante por lesão corporal grave, importunação sexual e perseguição.


Ouvido pela coluna, o delegado plantonista da 5ª DP, Sérgio Bautzer, explicou que o advogado não teve condições de ser ouvido em razão do nível de embriaguez.


“A Justiça deverá marcar a audiência de custódia, onde ele será ouvido. Da mesma forma, não foi arbitrada fiança em razão das incidências penais ultrapassarem quatro anos de pena”, explicou.

Procurada pela reportagem, a assessoria do complexo de hotéis Brasília Alvorada respondeu, em nota, que, na noite de sexta-feira (10/10), dois hóspedes se envolveram em uma discussão no bar do hotel Royal Tulip.


“Imediatamente a equipe acionou a polícia e o Samu, que em poucos minutos chegaram ao hotel para resolver a situação. O complexo lamenta o ocorrido e permanece a disposição para quaisquer esclarecimentos as autoridades”, afirmou o texto.


A reportagem não localizou a defesa de Adonis para comentar a prisão. O espeço segue aberto.






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Pets ganham atenção especial no DF com mutirões de vacinação

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O sábado (11) começou com movimento intenso em diversas regiões do Distrito Federal. Tutores de cães e gatos aproveitaram o dia para participar da nova fase da campanha de vacinação antirrábica, organizada pela Secretaria de Saúde (SES-DF).


A mobilização tem como meta ampliar a cobertura vacinal e manter o DF livre da raiva urbana — uma doença que, apesar de rara na capital, continua sendo uma preocupação constante entre os profissionais de saúde.


No Guará, um dos pontos mais movimentados do dia foi o drive-thru montado ao lado da Administração Regional, onde equipes do Núcleo Regional de Vigilância Ambiental em Saúde (Nuval) aplicaram doses ao longo de todo o dia. O formato foi pensado para oferecer praticidade e rapidez, especialmente para quem tem mais de um animal.


“Vacinar é um ato de cuidado que protege toda a comunidade. A raiva é uma doença grave, mas totalmente evitável com a imunização regular dos pets”, destacou Shirley Lobato, agente do Nuval.


Entre os tutores que passaram pelo local estava Dângelo Silva, 43 anos, servidor público, acompanhado das cadelas Panda e Laica e da gata Jade. “O drive-thru facilita demais. A gente consegue resolver rápido, sem estresse para os animais. É uma forma de cuidar deles e, ao mesmo tempo, contribuir com a saúde de todos”, contou.


Além do Guará, os postos de vacinação também funcionaram em locais como o estádio Bezerrão (Gama), a Biblioteca Pública da Estrutural, a Administração Regional do Cruzeiro, praças do Setor Militar Urbano e o posto policial do Setor de Mansões de Taguatinga.


A campanha é voltada para cães e gatos saudáveis com mais de três meses de idade, incluindo fêmeas gestantes ou lactantes. O serviço é gratuito e não é necessário apresentar o cartão de vacinação anterior — basta levar um documento de identificação e garantir que o animal esteja contido por coleira, guia ou caixa de transporte.


Até 1º de novembro, as ações devem se concentrar nas áreas rurais. A meta é alcançar 160 mil animais, o que representa 40% da meta anual de 400 mil vacinas aplicadas.


Saúde para toda a família


A mobilização não se limitou aos pets. Em comemoração ao Dia das Crianças, a Secretaria de Saúde levou um ponto de vacinação humana ao Zoológico de Brasília, com equipes da Região Centro-Sul aplicando imunizantes do calendário infantil e adulto — com exceção das vacinas contra dengue e BCG.


Além das doses, o público recebeu orientações de saúde, atividades educativas e kits de higiene bucal. O atendimento no local seguiu das 9h às 17h, em um dia dedicado à prevenção e ao cuidado coletivo.


A lista completa dos pontos de vacinação, tanto para humanos quanto para animais, está disponível no site da SES-DF.






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https://jornalismodigitaldf.com.br/pets-ganham-atencao-especial-no-df-com-mutiroes-de-vacinacao/?fsp_sid=213377
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