
Quase quatro décadas depois, o acidente com césio-137 em Goiânia voltou ao centro das atenções com Emergência Radioativa, série da Netflix lançada no mês passado. A produção revisita a tragédia de 1987 — o maior desastre radioativo do mundo fora de uma instalação nuclear — e recria a história a partir de personagens inspirados em pessoas reais.
Uma das cenas que mais chocou o público é a amputação de um dos personagens. Mas isso realmente aconteceu?
A resposta é sim. Roberto Santos Alves — um dos responsáveis por retirar e levar para casa a cápsula de césio abandonada no Instituto Goiano de Radioterapia — teve o antebraço direito amputado no dia 14 de outubro de 1987.
A cirurgia durou uma hora e trinta minutos e foi realizada com sucesso, dizia o boletim médico divulgado pelo Serviço de Relações Públicas do 1º Distrito Naval, publicado no Jornal do Brasil do dia seguinte.
A reportagem também informava que o procedimento foi realizado após o braço de Roberto gangrenar — que é quando o tecido entra em necrose por falta de irrigação sanguínea. No caso de Roberto, a gangrena foi provocada diretamente pela ação do césio-137 sobre o organismo: a radiação ulcerou a região em contato com o material, comprometendo os vasos responsáveis pelo fluxo sanguíneo local.
A decisão pela amputação foi tomada pelos médicos do Hospital Marcílio Dias após a análise de um exame de cintilografia por hemácias marcadas, que mede o grau de comprometimento vascular, ou seja, até que ponto os vasos sanguíneos da região ainda funcionavam. O resultado indicou dano irreversível.
Roberto trabalhava junto com Wagner Pereira quando os dois encontraram o equipamento de radioterapia abandonado e, sem saber do que se tratava, o levaram para um ferro-velho de Devair Ferreira.
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