Uma nova aposta do Ministério da Educação quer colocar milhares de livros ao alcance de qualquer leitor, sem custo e sem sair de casa. Batizada de MEC Livros, a plataforma digital reúne mais de 8 mil obras e passa a funcionar como uma biblioteca pública virtual, aberta a quem tiver acesso à internet e uma conta gov.br.
O acervo foi pensado para ser amplo e diverso. Há desde títulos consagrados da literatura brasileira até produções internacionais. Entre as opções disponíveis estão A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli, e O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.
O modelo de uso segue a lógica já conhecida das bibliotecas tradicionais, mas adaptado ao ambiente digital. Cada usuário pode selecionar um livro por vez e mantê-lo por até duas semanas. Caso não conclua a leitura nesse período, há a opção de estender o prazo por mais 14 dias. Um novo empréstimo só é liberado após a devolução do título anterior.
Para entrar na plataforma, o caminho é fácil. O interessado pode acessar o site do MEC Livros ou instalar o aplicativo oficial, que ainda está em fase inicial de disponibilização. Em ambos os casos, o sistema exige autenticação via gov.br antes de liberar o acesso ao catálogo.
A leitura acontece dentro da própria ferramenta, que oferece ajustes para tornar a experiência mais confortável. É possível alterar o tamanho da fonte, mudar o layout das páginas, destacar trechos e adicionar anotações.
MEC Idiomas
O lançamento do MEC Livros não vem sozinho. O ministério também prepara o MEC Idiomas, uma plataforma voltada ao ensino de línguas estrangeiras.
Na estreia, a previsão inclui mais de 800 aulas de inglês e espanhol. O serviço ainda não está disponível, mas deve seguir o mesmo padrão de acesso, com login vinculado ao gov.br, e ampliar a oferta de idiomas nos próximos meses.
Mal abrem-se as cortinas, apenas o canto e o violão de Zeca Veloso são ouvidos nos primeiros minutos. Os demais instrumentos entram aos poucos, na medida em que avançam letra e melodia de “Peter Gast”. Foi com a canção, lançada por Caetano Veloso no LP “Uns”, de 1983, que Zeca abriu, na noite do último sábado (4/4), o show de lançamento do seu primeiro álbum solo, “Boas novas”. A apresentação, dentro do festival Queremos!, arrebatou o público que lotou o Teatro Carlos Gomes, Centro do Rio de Janeiro, num show que contou ainda com as participações de Xamã e de Dora Morelenbaum.
E a escolha da canção de Caetano, de versos como “Escuto a música silenciosa de Peter Gast”, não é aleatória. Com ela, Zeca prenunciou suas intenções neste que é seu primeiro grande show, no qual divide o palco com sete excelentes músicos. Ele quer mostrar a essência de sua música. E este intuito é cumprido. Ao elencar as dez faixas do álbum (sem seguir a ordem com que estão no disco), Zeca acaba por louvar também as referências que o forjaram como artista – e elas abarcam de Tom Jobim (1927-1994) a Lincoln Olivetti (1954-2015), passando por Tim Maia (1942-1998) e por bambas do samba.
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Quase quatro décadas depois, o acidente com césio-137 em Goiânia voltou ao centro das atenções com Emergência Radioativa, série da Netflix lançada no mês passado. A produção revisita a tragédia de 1987 — o maior desastre radioativo do mundo fora de uma instalação nuclear — e recria a história a partir de personagens inspirados em pessoas reais.
Uma das cenas que mais chocou o público é a amputação de um dos personagens. Mas isso realmente aconteceu?
A resposta é sim. Roberto Santos Alves — um dos responsáveis por retirar e levar para casa a cápsula de césio abandonada no Instituto Goiano de Radioterapia — teve o antebraço direito amputado no dia 14 de outubro de 1987.
A cirurgia durou uma hora e trinta minutos e foi realizada com sucesso, dizia o boletim médico divulgado pelo Serviço de Relações Públicas do 1º Distrito Naval, publicado no Jornal do Brasil do dia seguinte.
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Manchete do Jornal do Brasil sobre a tragédia
Reprodução
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Demolição do Ferro Velho onde cápsula de Césio-137 foi aberta pela 1ª vez
Reprodução/Agência Internacional de Energia Atómica
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Demolição de casas contaminadas pelo Césio-137
Reprodução/Agência Internacional de Energia Atómica
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Leide das Neves, que inspirou a história de Celeste, personagem de Emergência Radioativa. Ela morreu cerca de 1 mês após contato com o Césio-137
Reprodução/TV Anhanguera
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Menina de 6 anos foi uma das quatro pessoas que morreram por causa da contaminação com o material radioativo, há quase 40 anos, em Goiânia
Reprodução/TV Anhanguera
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Cápsula de onde saiu o Césio-137 que causou desastre em Goiânia
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
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Assim como mostrado na série, recipiente com Césio-137 ficou dias em uma cadeira na Vigilância Sanitária
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
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Manejo do recipiente com Césio-137 na Vigilância Sanitária
Reprodução/ Livro Césio 137 - 37 anos: A história do acidente radioativo em Goiânia
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Maria Gabriela, tia de Leide e esposa de Devair Alves Ferreira, dono do ferro velho onde a cápsula de Césio foi aberta
Arquivo/Polícia Federal
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Milhares de pessoas precisaram medir seus níveis de radioatividade
Reprodução/ Livro Césio 137 - 37 anos: A história do acidente radioativo em Goiânia
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Velório das vítimas
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
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Radiolesão provocada pelo Césio-137 em Goiânia
Reprodução/ Livro Césio 137 - 37 anos: A história do acidente radioativo em Goiânia
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Vítima do acidente se despede de parentes enquanto é levada para tratamento no Rio de Janeiro (RJ)
Reprodução/ Livro Césio 137 - 37 anos: A história do acidente radioativo em Goiânia
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Equipe médica do HGG que cuidou das vítimas do Césio-137
Reprodução/ Livro Césio 137 - 37 anos: A história do acidente radioativo em Goiânia
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Local onde rejeitos do Césio foram depositados
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Leide das Neves Ferreira tornou-se a vítima símbolo da tragédia. Ela tinha apenas 6 anos de idade
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Israel Batista trabalhava no ferro velho de Devair e manuseou, no local, a cápsula de Césio
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Maria Gabriela, tia de Leide das Neves, também morreu. Ela e a sobrinha foram enterradas no mesmo dia, em Goiânia
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Vítimas que morreram foram enterradas em túmulos especiais, com concreto reforçado
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Segundo lote concretado, no Setor Aeroporto, em Goiânia, onde ficava o ferro velho do Devair, que comprou as peças do aparelho que continha Césio
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Técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) fazem monitoramento periódico no local
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Atualmente o terreno pertence ao estado e é monitorado para que não haja qualquer intervenção no local
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Terreno isolado por concreto especial, no centro de Goiânia, onde ficava a casa de um dos atingidos pelo Césio-137
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Lote na Rua 57, no Centro de Goiânia, onde ficava a casa de um dos homens que coletou o aparelho abandonando contendo a cápsula de Césio em 13 de setembro de 1987
Vinícius Schmidt/Metrópoles
A reportagem também informava que o procedimento foi realizado após o braço de Roberto gangrenar — que é quando o tecido entra em necrose por falta de irrigação sanguínea. No caso de Roberto, a gangrena foi provocada diretamente pela ação do césio-137 sobre o organismo: a radiação ulcerou a região em contato com o material, comprometendo os vasos responsáveis pelo fluxo sanguíneo local.
A decisão pela amputação foi tomada pelos médicos do Hospital Marcílio Dias após a análise de um exame de cintilografia por hemácias marcadas, que mede o grau de comprometimento vascular, ou seja, até que ponto os vasos sanguíneos da região ainda funcionavam. O resultado indicou dano irreversível.
Roberto trabalhava junto com Wagner Pereira quando os dois encontraram o equipamento de radioterapia abandonado e, sem saber do que se tratava, o levaram para um ferro-velho de Devair Ferreira.
A inteligência artificial (IA) se tornou uma ferramenta amplamente utilizada para a criação e adaptação de músicas. O uso da tecnologia, entretanto, vem gerando problemas no mercado musical, afetando principalmente os streamings.
A IA invadiu as plataformas musicais nos últimos anos. Segundo a Deezer, cerca de 60 mil faixas feitas por IA são submetidas no streaming por dia. O controle dos direitos morais e patrimoniais envolvendo as músicas – como autoria e remuneração, tornou-se uma dor de cabeça para as empresas.
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Imagem da logo do Spotify
Robert Michael/picture alliance via Getty Images
Com um volume tão alto, a Deezer se limita a informar aos assinantes quais são os conteúdos 100% gerados por IA. No Spotify, por outro lado, não existem informações relativas ao assunto. A empresa realiza ações afirmativas para evitar roubo de identidade, clonagem não autorizada e fraude, mas não impede a entrada de novas produções feitas por IA.
A chegada de tantas músicas feitas por IA traz uma discussão sobre direitos autorais. Artistas e até mesmo bandas de IA estão ganhando espaço e dinheiro com streams nas plataformas musicais, mudando o fluxo no mercado musical. A utilização da ferramenta indica pouco trabalho e ganhos financeiramente altos.
E a facilidade para a criação está cada vez maior. Aplicativos como o Amper Music, que facilita a produção de músicas através de samples pré-gravados, o LANDR, que ajusta aspectos musicais de forma profissional, e o Boomy, que permite a monetização de faixas feitas com samples da plataforma sem infringir direitos autorais de terceiros, instigam novas músicas com IA.
Músicas indetectáveis
Uma pesquisa da Deezer–Ipsos, que entrevistou 9 mil participantes em oito países, mostra que 97% dos ouvintes não conseguem diferenciar músicas compostas por inteligência artificial das músicas compostas por humanos.
Um exemplo é a cantora de soul Sienna Rose, uma criação de IA que lançou 45 faixas em cerca de dois meses e se tornou um sucesso no fim de 2025, acumulando mais de 2,6 milhões de ouvintes. Até mesmo uma estética visual é criada para iludir e aproximar o público que consome o streaming.
Com o aumento das reproduções de músicas feitas por IA, até mesmo representantes das plataformas musicais começam a aceitar que a ferramenta é uma realidade. “O uso da IA em si não é um problema”, disse Romain Takeo Bouyer, chefe de análise de conteúdo do Spotify, ao Le Monde.
Por outro lado, o CEO da Deezer, Alexis Lanternier, afirmou à Reuters que o maior desafio, no momento, é a criação de políticas para diferenciar pagamentos de música de IA das músicas humanas. Até o momento, todos são remunerados igualmente, enfraquecendo a cadeia de produção musical humana.
A disputa no Paredão desta semana segue movimentando o público do BBB 26. Chaiany, Juliano e Marciele disputam a permanência no reality, que entrou no Modo Turbo e agora elimina dois brothers por semana.
Segundo a enquete do Metrópoles, Juliano aparece na liderança para ser eliminado, com 47,96% dos votos. Em seguida, Marciele soma 29,6%, enquanto Chaiany registra 22,44%.
A eliminação está marcada para este domingo (5/4), quando um dos três deixará oficialmente a casa mais vigiada do Brasil.
A trama de Três Graças ganhará novos rumos com o capítulo deste sábado (4/4), quando Ferette (Murilo Benício) e Arminda (Grazi Massafera) invadirão o posto de saúde da Chacrinha em Três Graças certos de que conseguirão recuperar a fortuna escondida na estátua.
A dupla chega com violência, exigindo respostas e intimidando quem tenta impedir a entrada no local. Antes disso, Joaquim (Marcos Palmeira) descobre o plano ao ouvir uma conversa na casa de vilã e corre para agir.
Com a ajuda de Lígia (Dira Paes), ele consegue retirar o dinheiro do consultório de José Maria momentos antes da chegada dos vilões. Quando Ferette e Arminda entram no consultório, encontram o esconderijo vazio.
Revoltada, Arminda começa a depredar o local, revirando móveis e arquivos em busca do dinheiro. Já Ferette perde o controle e chega a ameaçar Lígia diante do fracasso.
A confusão chama a atenção, e Paulinho (Rômulo Estrela) aparece após notar a movimentação suspeita. Ao investigar o caso, ele liga Joaquim ao desaparecimento da quantia.
Mesmo tendo agido para impedir que o dinheiro voltasse às mãos dos vilões, Joaquim acaba preso. Ele é levado à delegacia sem revelar o novo paradeiro da fortuna, mantendo o segredo e criando um impasse que intensifica a busca de Ferette e Arminda.
O Drama, filme de romance sombrio estrelado por Zendaya e Robert Pattinson, estreia nos cinemas brasileiros em 9 de abril. Antes mesmo de chegar ao público brasileiro, a produção está sendo bastante criticada nos Estados Unidos, local onde o filme já está disponível.
E o motivo das críticas é o fio condutor do filme. No longa-metragem, a personagem de Zendaya faz uma revelação que simplesmente aterrorizou parte da crítica especializada e do público que assistiu a produção.
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O Drama, filme com Robert Pattinson e Zendaya
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Robert Pattinson e Zendaya em O Drama
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Zendaya
Reprodução/Instagram/@zendaya
O texto a seguir contém spoilers!
Em uma cena onde todos revelam seus segredos, Emma (Zendaya) revela que planejou um tiroteio na escola. Mais do que apenas idealizar o ato terrorista, ela chegou a treinar tiro e levar o rifle do pai para a aula, desistindo do crime na última hora.
O fato de tiroteios escolares serem comuns nos Estados Unidos deixou diversas pessoas perturbadas. A riqueza de detalhes apresentada no filme remeteu a tragédias do passado, como o massacre de Columbine, em 1999.
Na ocasião, dois estudantes mataram 13 pessoas e feriram mais de 20 em uma escola no Colorado, antes de se matarem. Tom Mauser, pai de uma das vítimas do massacre, deu uma entrevista para o TMZ e classificou a escolha dos produtores como “terrível”.
A falta de alertas de gatilhos para pessoas que viveram situações semelhantes também está gerando críticas nos EUA, visto que o assunto é retomado a todo momento em O Drama.
A literatura brasileira está de luto. Morreu, no Rio de Janeiro, a poeta, editora e tradutora Thereza Christina Rocque da Motta. A escritora tinha 69 anos e sofreu um infarto agudo na manhã deste sábado (4/4) na sua residência, em Niterói. Informações sobre o velório ainda não foram divulgadas pela família.
Thereza estreou na literatura em 1980, com a coletânea de poemas Relógio de Sol. A este título seguiram-se outros como Joio e Trigo (1982), Areal (1995) e Folias (1999), numa trajetória que abarca obras em prosa e em poesia, tendo dedicado a este gênero mais de 20 títulos.
Seu livro mais recente é Os Jardins de Jacintos de Madame Sossostres, lançado ano passado e que marcou sua volta à poesia após um hiato de 8 anos. A obra é composta por glosas poéticas a partir de versos de A Terra Devastada, obra de T.S. Eliot (1888-1965), um dos poetas considerados por ela fundamentais na sua formação.
Leia a reportagem na íntegra na New Mag, parceira do Metrópoles.
O diretor carioca Felipe Sholl, um dos roteiristas de Manas (2024), se mudou para São Paulo em 2010. Nos anos seguintes, enquanto atravessava o luto pela perda do pai, viveu uma jornada íntima marcada pelo uso de drogas e envolvimento com garotos de programa. Esse período inspirou Ruas da Glória, que chegou aos cinemas nessa quinta-feira (2/4).
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Em Ruas da Glória, um encontro muda tudo na vida de Gabriel, vivido por Caio Macedo
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Em Ruas da Glória, os bairros cariocas ajudam a contar o drama
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Ruas da Glória trata do uso de drogas na noite carioca
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Ruas da Glória mergulha em uma história de amor e autodestruição
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Em Ruas da Glória, paixão e excessos caminham lado a lado
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Ruas da Glória recria a atmosfera de bairros bohemios do Rio de Janeiro
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Ruas da Glória retrata um romance que rapidamente vira obsessão
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No longa, a rua paulista Bento Freitas se transforma nas regiões cariocas da Glória, Lapa e Cinelândia. O jovem professor Gabriel (Caio Macedo) se muda para a cidade enquanto lida com a perda da avó. Ao chegar, conhece Adriano (Alejandro Claveaux), um garoto de programa uruguaio, com quem vive uma paixão arrebatadora que rapidamente se transforma em obsessão.
Para Sholl, transportar um momento tão delicado da própria vida para as telas se tornou o “roteiro mais difícil” de sua vida. Assim como no filme, o roteirista sentiu as relações e emoções serem intensificadas pelo uso de drogas.
“Ruas da Glória é inspirado na minha vida”, confessa. “Eu estava bebendo, eu estava cheirando. Eu morava no centrão de São Paulo, onde trabalham esses garotos de programa. Então, eu convivi muito com eles. O filme é baseado na minha jornada emocional nessa época, mas também nas histórias de vida que eu ouvi desses caras que trabalhavam com prostituição.”
Em Ruas da Glória, Felipe Sholl transforma vivências pessoais em ficção
Adriano, o impulsivo uruguaio que vende o corpo para sobreviver no Brasil, não foi inspirado em uma única pessoa. O personagem resulta de uma mistura de várias paixões vividas por Sholl, descritas por ele como “muito intensas e muito tóxicas”.
“Nessa época, que eu estava muito vulnerável, eu tive muitos Adrianos. Toda semana, era uma paixão avassaladora diferente. As drogas fazem tudo parecer também mais intenso, mais emocionante. Então, o Adriano é uma mistura de várias relações que eu tive muito intensas e muito tóxicas”, declara.
A dimensão pessoal do filme não atingiu apenas o diretor. O protagonista Caio Macedo perdeu o pai na fase de testes de elenco. A perda serviu de base para o personagem Gabriel, que enfrenta a morte da avó, um refúgio diante da homofobia da família.
“Eu fui uma pessoa criada por avó, então até isso me aproxima do personagem”, reflete. “Eu também tinha perdido meu pai no final dos testes para o início da gravação e era impossível não me colocar na obra, naquele personagem que eu estava investigando.”
Em Ruas da Glória, Gabriel e Adriano vivem uma relação intensa
A nacionalidade de Adriano não foi escolhida por acaso. Assim como o personagem, o ator Alejandro Claveaux tem pais uruguaios. Na tela, ele incorporou o sotaque riverense que a mãe mantém há décadas no Brasil. “É confortável falar desse jeito para mim”, comenta.
O ator também foi atravessado pela perda recente do pai, que imigrou para o Brasil e enfrentou grandes desafios até se estabelecer no país. Alejandro conecta a solidão do personagem às experiências vividas pela família ao deixar o Uruguai.
“A vida do imigrante é muito difícil, ainda mais no começo, mas no caso do Adriano, ele começou a trabalhar com sexo para tentar sobreviver, para tentar se encaixar”, diz. “Então traz para mim essa memória familiar de ver sempre meu pai perdendo tudo e não ter ninguém para ajudar.”
Ruas da Glória tem classificação indicativa para maiores de 18 anos.