Tradição e mercado explicam por que alguns países ainda caçam baleias

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Tradição e mercado explicam por que alguns países ainda caçam baleias

Tradição e mercado explicam por que alguns países ainda caçam baleias

Retomada da atividade na Islândia reacende debate sobre cultura, regras internacionais e conservação das populações de baleias

Após dois anos sem registrar capturas, a Islândia retomou no fim de junho a caça comercial de baleias. O início da temporada de 2026 foi marcado pelo abate de duas baleias-fin pela embarcação Hvalur, que levou os animais para uma estação de processamento localizada em um fiorde na região de Hvalfjörður, no oeste do país.

A decisão reacendeu um debate que se repete há décadas. Afinal, por que alguns países ainda mantêm essa prática mesmo diante da oposição internacional e das preocupações com a conservação das espécies?

Atualmente, Islândia, Noruega e Japão estão entre os poucos países que continuam realizando caça comercial de baleias. Embora usem argumentos diferentes, especialistas afirmam que as justificativas se concentram principalmente na tradição cultural e no consumo da carne desses animais.

O biólogo marinho Eduardo Bessa, professor da Universidade de Brasília (UnB), explica que a atividade faz parte da história desses países, que sempre tiveram forte relação com o mar.

“São nações muito ligadas à cultura oceânica. Tradicionalmente, caçavam baleias e consumiam sua carne por muitas gerações. No Japão, por exemplo, esse consumo ganhou força no período pós-guerra e acabou se tornando parte da cultura”, afirma.

Já a bióloga Mia Morete, do Instituto Verde Azul, ressalta que o argumento cultural é frequentemente utilizado pelos governos para justificar a continuidade da atividade.

“Eles alegam que a caça faz parte da tradição. Mas hoje boa parte da população desses países já não tem o hábito de consumir carne de baleia como no passado”, diz.

Ela afirma que, em alguns casos, uma porção da produção acaba sendo exportada ou destinada a outros usos, como ração animal.

A caça de baleias é discutida internacionalmente pela Comissão Internacional da Baleia (IWC, na sigla em inglês), criada em 1946 para regulamentar a atividade após décadas de exploração intensa desses animais.

Segundo Mia, entre 1904 e 1986 cerca de 2,7 milhões de baleias foram mortas em diferentes partes do mundo. Diante da queda das populações, a comissão aprovou, em 1986, uma moratória que suspendeu a caça comercial.

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