Crise global e distribuição: saiba o que afeta preço dos combustíveis
Embora parte do combustível consumido no país seja produzida internamente, o setor continua sujeito a vários fatores
O preço dos combustíveis não é definido de forma aleatória, mas resulta de uma combinação de fatores que envolve desde a produção e o refino até cenários internacionais, desafios logísticos e distribuição.
Esse foi um dos principais pontos discutidos nessa terça-feira (2/6) durante o talk “Por que o preço do combustível muda tanto?”, promovido pelo Metrópoles, em parceria com o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom).
Segundo David Zylbersztajn, presidente do Conselho de Administração do Sindicom, os principais saltos nos preços registrados nos últimos anos coincidiram com grandes crises globais.
Ele citou a pandemia da Covid-19, a invasão da Ucrânia pela Rússia e, mais recentemente, o conflito envolvendo o Irã como eventos que provocaram impactos significativos no mercado internacional de energia.
De acordo com Zylbersztajn, embora parte do combustível consumido no país seja produzida internamente, o setor continua sujeito às oscilações do cenário global.
Ele destacou também que os custos logísticos de abastecimento variam conforme a localização e a necessidade de transporte até os postos de combustíveis.
Já o superintendente de Pesquisa da FGV Energia, Márcio Lago Couto, reforçou que, como os combustíveis são commodities comercializadas globalmente, acontecimentos internacionais refletem direto no mercado doméstico.
Além disso, Couto ponderou que garantir a entrega de um produto essencial em um país de dimensões continentais exige uma cadeia complexa de produção e distribuição.
Em muitos casos, o combustível produzido na região Sudeste precisa ser transportado para diferentes partes do território nacional, elevando os custos operacionais.
O pesquisador também chamou a atenção para o fenômeno conhecido como “assimetria de preços”. Nesse processo, as reduções de preços tendem a chegar ao consumidor de forma mais lenta do que os aumentos.
“Isso ocorre porque distribuidores e revendedores precisam administrar os estoques adquiridos anteriormente e ajustar suas operações de acordo com os sinais de mercado. Fatores como a inflação também podem influenciar a velocidade dos repasses”, explicou.
Os conflitos internacionais estão entre os fatores que mais influenciam a volatilidade dos preços dos combustíveis no mercado global. Segundo Couto, períodos de guerra costumam provocar reduções na oferta de petróleo e derivados, pressionando os preços para cima.
Para explicar o fenômeno, o especialista destacou que a gasolina consumida no Brasil é, essencialmente, o mesmo produto comercializado em diversos países. Por isso, existe uma demanda global pelos combustíveis derivados do petróleo, o que faz com que eles sejam disputados em diferentes mercados ao redor do mundo.
0 #type=(blogger):
Postar um comentário