
O sertanejo é o estilo mais popular no Brasil desde a última década. Dentre as 50 músicas mais tocadas no Brasil em 2025, 40% são do gênero musical. Mas você já teve aquele sentimento de não saber, ao certo, quem é o artista que está cantando?
Nos últimos 10 anos, momento em que o estilo assumiu o protagonismo nacional, o sertanejo vem apostando em produções padronizadas, timbres semelhantes e melodias similares. A “fórmula do sucesso”, que é funcional, fez com que os artistas soassem repetitivos.
Até mesmo o cantor Bruno, dupla de Marrone, fez críticas públicas à prática. Ele afirmou que a geração contemporânea do sertanejo está cantando “tudo igual”, com composições repetitivas e sonoridades parecidas.
Em conversa com o Metrópoles, Italo Ribeiro, dono da página Versinho Oficial, um dos maiores perfis sertanejos no Instagram, afirmou que a confusão é maior entre ouvintes casuais do gênero.
“Eu nunca confundi por estar sempre ligado em tudo, mas o normal é quase sempre rolar essa confusão. São muitas vozes parecidas, o mesmo jeito de cantar, músicas parecidas… Quem não está acompanhando para valer o meio sertanejo vai sempre confundir. Isso gera uma difícil absorção da imagem do artista, já que pela voz é muito difícil”, explicou.
Estratégia da cópia
Outro fator que contribui para que o sertanejo tenha se tornado tão quadrado é a emulação de vozes e estilos por novos artistas. Declarações como “essa cantora tem a voz parecida com a da Marília Mendonça” ou “esses dois são os novos Jorge e Mateus” são feitas com a intenção de vender um produto com base em algo existente.
A consagrada dupla sertaneja João Neto & Frederico falou sobre o assunto ao Metrópoles, confirmando a existência de um padrão comercial. Segundo eles, quando um artista acerta, muitos seguem o mesmo caminho.
E a chegada de diversos artistas no mercado musical, ao mesmo tempo e com estilos repetitivos, expande ainda mais o sentimento de semelhança. “A quantidade de artistas novos pode, justamente, causar essa confusão na cabeça do público. As pessoas não sabem quem é que está cantando, não associam a imagem dos artistas às músicas e isso acaba sendo prejudicial”, afirma Ribeiro.
Autor de músicas sertanejas que alcançaram o top 1 no Brasil nas vozes de cantores como Michel Teló, Bruno e Marrone e Luan Santana, o produtor Dudu Borges foi sincero ao falar sobre o assunto. Ele revelou que chegou a se afastar do mercado musical por conta disso.
“A cada sucesso desses, tem mais 10 embaixo querendo fazer igual comigo. E vai ficar igual. A linha de composição é a mesma. O cara quer ser igual, mas não vai ter resultado porque existe o original”, disse ao podcast Corredor 5.
Influência dos figurões
No atual sertanejo, os artistas se tornaram responsáveis pelas próprias carreiras e eventos. Da mesma forma, também passaram a agenciar outros artistas de menor relevância, mas com potencial de fazer sucesso nacional.
Apesar da influência positiva, pela proximidade e por utilizar a mesma produção musical, os grandes artistas também contribuem para uma cadeia repetitiva de sonoridades, como explica Italo Ribeiro.
“Acredito que quando o artista novo tem o suporte de um já consagrado, as coisas tendem a caminhar de forma mais fácil. São espaços que são abertos com gravadoras, contratantes, compositores… Tudo é facilitado. Porém, tem um perigo aí. Não deveria se impor repertório ou modo de cantar. Quando o artista consagrado tenta colocar demais as convicções musicais para o artista novo, isso costuma ser prejudicial.”
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https://chumbogrossodf.com.br/sertanejo-adota-formula-do-sucesso-e-cai-na-mesmice-da-repeticao/?fsp_sid=282434



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