
A maternidade do Hospital Regional do Gama (HRG), uma das que mais realiza partos no Distrito Federal, passou a oferecer um novo recurso para ampliar o cuidado com a saúde dos recém-nascidos. Desde o início de fevereiro, a unidade incorporou à rotina hospitalar o exame de Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico (Peate), conhecido também como Bera, voltado à avaliação mais detalhada da audição em bebês com indicadores de risco para deficiência auditiva.
A principal mudança é que o exame passou a ser realizado ainda durante a internação, antes da alta hospitalar, com resultado e laudo emitidos no mesmo dia. A medida reduz etapas no acompanhamento neonatal e evita que as famílias precisem buscar o serviço em outras unidades após o nascimento.
Segundo a coordenadora de Fonoaudiologia da maternidade do HRG, Maria Paula Toledo, a iniciativa representa um avanço importante na qualidade da assistência oferecida. Com média superior a 300 partos mensais, o hospital já realizava o teste da orelhinha como parte da triagem neonatal. Agora, o Peate passa a complementar esse processo com uma avaliação mais aprofundada do sistema auditivo.
O exame integra o conjunto de procedimentos da triagem neonatal, que inclui também os testes do olhinho, da linguinha, do coraçãozinho e do pezinho. A função do Peate é verificar, de forma precoce, a integridade da via auditiva, desde o ouvido até o tronco encefálico, permitindo identificar alterações que podem não ser detectadas no teste inicial.
Antes da implantação do serviço na própria maternidade, bebês que apresentavam falha no teste da orelhinha precisavam ser encaminhados para outras unidades de saúde após a alta. De acordo com a fonoaudióloga Priscila Oliveira, esse fluxo enfrentava dificuldades práticas, como o deslocamento das mães, o que contribuía para um número significativo de ausências nas consultas. Com a realização do exame no próprio HRG, o atendimento tornou-se mais ágil e acessível.
O procedimento é feito de forma simples e indolor. Após a falha no teste inicial, o recém-nascido é submetido ao Peate, preferencialmente enquanto dorme. Pequenos eletrodos são posicionados na testa, nas bochechas e na nuca, enquanto um dispositivo semelhante a um fone é colocado nas orelhas. O equipamento emite estímulos sonoros e registra a resposta elétrica do nervo auditivo, permitindo identificar possíveis alterações.
Caso a falha persista, o bebê é encaminhado para acompanhamento especializado, por meio do sistema de regulação da Secretaria de Saúde.
Entre os recém-nascidos que já passaram pelo exame está Maria Hellena Silva, de apenas quatro dias de vida. Para a mãe, Tatiara dos Santos, a possibilidade de realizar o procedimento ainda na maternidade trouxe mais segurança no período pós-parto, evitando deslocamentos e incertezas.
A chefe do Núcleo de Saúde Funcional do HRG, Kássia Araújo, destaca que a identificação precoce de alterações auditivas é essencial para o desenvolvimento da linguagem e da comunicação. Segundo ela, intervenções iniciadas no momento adequado aumentam as chances de sucesso antes da fase escolar, contribuindo para o desenvolvimento infantil e para o processo de alfabetização.
Com a incorporação do Peate à rotina da maternidade, o HRG reforça a estratégia de diagnóstico precoce e amplia o acesso a cuidados especializados ainda nos primeiros dias de vida, fortalecendo a linha de atenção neonatal no Distrito Federal.
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