Cinelaria encerra 2ª edição com foco na direção de arte e valorização do cinema periférico

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A 2ª edição do Cinelaria – Ateliê de Direção de Arte para Cinema foi concluída nesta semana em Ceilândia. Realizada em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), por meio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), a oficina gratuita promoveu debates e práticas sobre a arquitetura do espaço cinematográfico, do cenário ao figurino, até a escolha de locações. O projeto foi financiado pela Lei Paulo Gustavo, com investimento de R$ 82 mil da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF).


De acordo com o titular da Secec-DF, Cláudio Abrantes, os dados mostram que a maior parte dos projetos aprovados pela Lei Paulo Gustavo vem das periferias, territórios que respiram cultura e que precisam de oportunidades para transformar essa potência em desenvolvimento. “Na Secec-DF, estamos trabalhando para garantir que essas iniciativas tenham não apenas financiamento, mas também condições reais de execução, com acompanhamento técnico e políticas de circulação que ampliem o alcance das produções. Esse é um passo fundamental para consolidar a cultura como vetor de inclusão e de justiça social no Distrito Federal”, enfatizou.


Nesta edição, cinco curtas foram selecionados. As equipes, formadas por dois a cinco integrantes, participaram durante duas semanas de palestras com instrutores de diferentes áreas do cinema e, a partir delas, desenvolveram um cine-mapa — um caderno manual com desenhos, colagens, anotações e plantas que servirá de guia para a direção de arte de cada filme. No encerramento, cada grupo apresentou o resultado desse processo coletivo de criação.


A coordenadora do projeto, Denise Vieira, explica que a Cinelaria é uma oficina que aconteceu pela primeira vez em 2023. A oficina não envolve filmagens; a ideia principal é trabalhar com equipes de filmes que ainda não foram filmados, ou seja, projetos em desenvolvimento ou em pré-produção. Alguns desses projetos já têm roteiro, mas ainda não foram filmados, e outros nem sequer captaram recursos para a realização. “As inscrições se dão por projeto de filme, e durante a oficina os participantes trabalham no desenvolvimento desses projetos com foco na concepção do espaço do filme, que é responsabilidade da direção de arte”, afirma.


Com 20 anos de experiência como diretora de arte, Denise buscou trazer uma perspectiva mais coletiva para esse trabalho, que geralmente acaba sendo secundário em relação à fotografia e à dramaturgia. A ideia, segundo ela, é convocar as equipes, compostas pelo diretor, pelo materialista, pelo responsável pela fotografia e, muitas vezes, pela direção de arte, a participarem ativamente da criação.


Para Anna Clara Moreira, 26, conhecida artisticamente como Anna Lia, o maior aprendizado da Cinelaria foi vivenciar um processo de criação coletivo e imersivo. Roteirista e diretora, ela conta que, normalmente, o início dos projetos é solitário, mais voltado para reflexões individuais. “Só quando a ideia já está mais concreta é que outras pessoas entram no processo, cada uma focada em sua área específica”, explica. Com o curta Talião, ainda em fase inicial de desenvolvimento, a experiência foi diferente: ao lado da própria equipe e de estudantes de arquitetura, ela pôde sentar, discutir e imaginar o filme a partir da história que desejavam contar. “Esse processo compartilhado me surpreendeu pela riqueza e pela profundidade que trouxe já no começo da criação”, avaliou.


Segundo Anna, o curso contribuiu de forma decisiva para ampliar a visão sobre direção de arte. Além das trocas com profissionais experientes, a etapa prática de elaboração do cine-mapa possibilitou um mergulho criativo e coletivo. “Foi um momento de colocar a mão na massa, pensar e materializar elementos do curta. Percebi como dedicar tempo a essa construção visual fortalece a narrativa. A direção de arte é uma área enorme e fundamental, e a Cinelaria me fez enxergar isso com ainda mais admiração”, afirma.


Fora do eixo


O edital do projeto prioriza projetos que sejam filmados fora do Plano Piloto. Para a cineasta Ava Santos, 28, essa questão tem grande importância. “Sou uma realizadora periférica, de Ceilândia, e também integro o coletivo audiovisual Quilombra, que nasce desse território. Ter um espaço como o Cinelaria, que valoriza produções da periferia, é fundamental para dar visibilidade ao nosso trabalho e garantir oportunidades que nem sempre temos. Foi uma experiência muito cuidadosa, generosa e afetuosa, que vou levar para a vida”, conclui.


O projeto desenvolvido pela equipe da Ava no projeto é o curta OZIHCS, feito especialmente para a oficina. Trata-se de um horror psicológico que aborda o adoecimento mental e a relação familiar entre mulheres. A trama se desenrola quando a filha mais nova tem a primeira menstruação e a mãe interpreta o acontecimento como um sinal demoníaco, acreditando tratar-se de uma maldição sobre a família. “Na verdade, o que se revela é a doença mental dessa mãe, e as filhas precisam lidar de perto com esse processo”, explica.


Ela destaca que a oficina marcou um divisor de águas na sua trajetória profissional: “Eu não vinha de uma experiência próxima à direção de arte. Trabalho mais com roteiro, direção e narrativa. Por isso, o curso foi meu primeiro contato direto com essa área, e foi apaixonante. Aprendi a olhar para o cinema de forma mais completa, integrando som, fotografia e, sobretudo, a direção de arte ao processo narrativo. Isso agregou muito à minha formação e vai influenciar qualquer outro trabalho que eu fizer”.







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https://jornalismodigitaldf.com.br/cinelaria-encerra-2a-edicao-com-foco-na-direcao-de-arte-e-valorizacao-do-cinema-periferico/?fsp_sid=190418
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Cinelaria encerra 2ª edição com foco na direção de arte e valorização do cinema periférico

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A 2ª edição do Cinelaria – Ateliê de Direção de Arte para Cinema foi concluída nesta semana em Ceilândia. Realizada em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), por meio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), a oficina gratuita promoveu debates e práticas sobre a arquitetura do espaço cinematográfico, do cenário ao figurino, até a escolha de locações. O projeto foi financiado pela Lei Paulo Gustavo, com investimento de R$ 82 mil da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF).


De acordo com o titular da Secec-DF, Cláudio Abrantes, os dados mostram que a maior parte dos projetos aprovados pela Lei Paulo Gustavo vem das periferias, territórios que respiram cultura e que precisam de oportunidades para transformar essa potência em desenvolvimento. “Na Secec-DF, estamos trabalhando para garantir que essas iniciativas tenham não apenas financiamento, mas também condições reais de execução, com acompanhamento técnico e políticas de circulação que ampliem o alcance das produções. Esse é um passo fundamental para consolidar a cultura como vetor de inclusão e de justiça social no Distrito Federal”, enfatizou.


Nesta edição, cinco curtas foram selecionados. As equipes, formadas por dois a cinco integrantes, participaram durante duas semanas de palestras com instrutores de diferentes áreas do cinema e, a partir delas, desenvolveram um cine-mapa — um caderno manual com desenhos, colagens, anotações e plantas que servirá de guia para a direção de arte de cada filme. No encerramento, cada grupo apresentou o resultado desse processo coletivo de criação.


A coordenadora do projeto, Denise Vieira, explica que a Cinelaria é uma oficina que aconteceu pela primeira vez em 2023. A oficina não envolve filmagens; a ideia principal é trabalhar com equipes de filmes que ainda não foram filmados, ou seja, projetos em desenvolvimento ou em pré-produção. Alguns desses projetos já têm roteiro, mas ainda não foram filmados, e outros nem sequer captaram recursos para a realização. “As inscrições se dão por projeto de filme, e durante a oficina os participantes trabalham no desenvolvimento desses projetos com foco na concepção do espaço do filme, que é responsabilidade da direção de arte”, afirma.


Com 20 anos de experiência como diretora de arte, Denise buscou trazer uma perspectiva mais coletiva para esse trabalho, que geralmente acaba sendo secundário em relação à fotografia e à dramaturgia. A ideia, segundo ela, é convocar as equipes, compostas pelo diretor, pelo materialista, pelo responsável pela fotografia e, muitas vezes, pela direção de arte, a participarem ativamente da criação.


Para Anna Clara Moreira, 26, conhecida artisticamente como Anna Lia, o maior aprendizado da Cinelaria foi vivenciar um processo de criação coletivo e imersivo. Roteirista e diretora, ela conta que, normalmente, o início dos projetos é solitário, mais voltado para reflexões individuais. “Só quando a ideia já está mais concreta é que outras pessoas entram no processo, cada uma focada em sua área específica”, explica. Com o curta Talião, ainda em fase inicial de desenvolvimento, a experiência foi diferente: ao lado da própria equipe e de estudantes de arquitetura, ela pôde sentar, discutir e imaginar o filme a partir da história que desejavam contar. “Esse processo compartilhado me surpreendeu pela riqueza e pela profundidade que trouxe já no começo da criação”, avaliou.


Segundo Anna, o curso contribuiu de forma decisiva para ampliar a visão sobre direção de arte. Além das trocas com profissionais experientes, a etapa prática de elaboração do cine-mapa possibilitou um mergulho criativo e coletivo. “Foi um momento de colocar a mão na massa, pensar e materializar elementos do curta. Percebi como dedicar tempo a essa construção visual fortalece a narrativa. A direção de arte é uma área enorme e fundamental, e a Cinelaria me fez enxergar isso com ainda mais admiração”, afirma.


Fora do eixo


O edital do projeto prioriza projetos que sejam filmados fora do Plano Piloto. Para a cineasta Ava Santos, 28, essa questão tem grande importância. “Sou uma realizadora periférica, de Ceilândia, e também integro o coletivo audiovisual Quilombra, que nasce desse território. Ter um espaço como o Cinelaria, que valoriza produções da periferia, é fundamental para dar visibilidade ao nosso trabalho e garantir oportunidades que nem sempre temos. Foi uma experiência muito cuidadosa, generosa e afetuosa, que vou levar para a vida”, conclui.


O projeto desenvolvido pela equipe da Ava no projeto é o curta OZIHCS, feito especialmente para a oficina. Trata-se de um horror psicológico que aborda o adoecimento mental e a relação familiar entre mulheres. A trama se desenrola quando a filha mais nova tem a primeira menstruação e a mãe interpreta o acontecimento como um sinal demoníaco, acreditando tratar-se de uma maldição sobre a família. “Na verdade, o que se revela é a doença mental dessa mãe, e as filhas precisam lidar de perto com esse processo”, explica.


Ela destaca que a oficina marcou um divisor de águas na sua trajetória profissional: “Eu não vinha de uma experiência próxima à direção de arte. Trabalho mais com roteiro, direção e narrativa. Por isso, o curso foi meu primeiro contato direto com essa área, e foi apaixonante. Aprendi a olhar para o cinema de forma mais completa, integrando som, fotografia e, sobretudo, a direção de arte ao processo narrativo. Isso agregou muito à minha formação e vai influenciar qualquer outro trabalho que eu fizer”.







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Perigo de dano irreparável: o voto de Fachin sobre região alvo dos Caiado

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Ao votar pela proibição da desocupação das casas da fazenda Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator do processo, levou em conta o “perigo de dano irreparável” para com a comunidade da região caso ela seja repassada a terceiros. A 2ª Turma do STF concluiu, nesta sexta-feira (29/8), a votação de uma liminar sobre o caso, e os quatro ministros da turma acompanharam o relator.


Fachin fundamentou seu voto no fato de a comunidade da Antinha de Baixo ter se identificado como remanescente de quilombo — a população do local impetrou recurso apontando que cidadãos escravizados ocupavam aquelas terras cerca de 400 anos atrás; a Fundação Cultural Palmares aceitou a autodeclaração, e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) solicitou entrada no processo para acompanhar o caso.


“Sopesado o perigo de dano irreparável decorrente do cumprimento de decisão anterior , foi monocraticamente deferida a liminar”, ponderou o Fachin.

“Entendo prudente a imediata suspensão da ordem de desocupação proferida no processo de origem”, declarou.


O ministro utilizou como referência técnica, dentre outros conteúdos, a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que versa sobre os povos indígenas e tribais. O documento leva a “consciência da própria identidade” como critério para determinar grupos tradicionais e pontua: “Estado algum tem o direito de negar a identidade de um povo que se reconheça como tal”.


Votaram acompanhando o relator Fachin os ministros Dias Toffoli, Nunes Marques, Gilmar Mendes e André Mendonça. O mérito da questão deve ser votado posteriormente, sem data prevista.



Família centenária


As citações diretas e indiretas contidas no voto de Fachin evidenciam que a autodeclaração da população como remanescente de quilombo é suficiente para que a terra seja preservada.


A Antinha de Baixo possui moradores centenários até os dias atuais. Um deles é Joaquim Moreira, conhecido como Seu Joaquim, 86 anos. “Meu pai era daqui, minha mãe também. Fiz casa, criei meus filhos aqui… Não tenho outra casa em lugar nenhum”, disse em entrevista ao Metrópoles.


Relembre no vídeo abaixo:





Entenda a batalha judicial



  • Em 28 de julho deste ano, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) expediu mandado de desocupação compulsória de 32 imóveis localizados na fazenda Antinha de Baixo, na zona rural de Santo Antônio do Descoberto (GO).

  • A medida, assinada pela juíza Ailime Virgínia Martins, da 1ª Vara Cível da comarca de Santo Antônio do Descoberto, desapropriava os atuais moradores e dava posse das terras a três pessoas: Luiz Soares de Araújo, Raul Alves de Andrade Coelho e Maria Paulina Boss. Como esses dois últimos já faleceram, os herdeiros deles são os reais beneficiados com a decisão. Em 4 de agosto, a ordem começou a ser cumprida.

  • Um dos herdeiros de Maria Paulina Boss é o desembargador do Tribunal de Justiça (TJGO) Breno Caiado, primo do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ele atuou como advogado no processo até 2023.

  • Outro herdeiro é o empresário Murilo Caiado, irmão de Breno e primo de Ronaldo. Murilo esteve na Antinha de Baixo acompanhando as desocupações no dia 4 de agosto.

  • No dia seguinte, 5 de agosto, houve uma reviravolta no caso, e os moradores da região tiveram três decisões judiciais de âmbito federal favoráveis: o STF, a Justiça Federal de Anápolis e o próprio TJGO determinaram a suspensão das derrubadas para que se apure a autodeclaração da população que diz que a Antinha de Baixo é uma região quilombola.

  • A determinação do STF, a mais recente, torna a Justiça Federal competente pela comunidade Antinha de Baixo. Assim, o TJGO não tem mais condições de emitir novas ordens de despejo para outras casas.

  • Entretanto, a decisão do STF não invalida medidas anteriores. Por isso, as 32 casas desocupadas em 4 de agosto graças à ordem anterior do TJGO seguem sob posse dos herdeiros de Luiz Soares de Araújo e dos herdeiros de Raul Alves de Andrade Coelho e Maria Paulina Boss.

  • A entrega da competência do caso à Justiça Federal vem após o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pedir à Advocacia-Geral da União (AGU) para atuar no processo como assistente. O pedido do Incra ocorreu após os moradores da Antinha de Baixo declararem ao órgão que aquela região foi ocupada por comunidade tradicional quilombola há cerca de 400 anos.

  • Caso fique comprovado que a região foi habitada por cidadãos escravizados em séculos passados, seguirá cabendo somente à Justiça Federal definições jurídicas sobre a área, como estabeleceu o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2014.




“Tiraram tudo o que era meu”


Como dito acima, ao menos 32 famílias chegaram a ser desapropriadas e ficar sem lugar para morar antes de o STF intervir no caso.


1 de 8

Fazenda Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO)

Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)
2 de 8

População da Antinha de Baixo

Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)
3 de 8

Região seria quilombola; tal fator levou o STF a suspender as derrubadas

Vinícius Schmidt/Metrópoles (@vinicius.foto)
4 de 8

Lídia Rosa Silva, 61, é uma das moradoras que perderam casa

Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)
5 de 8

Katleen Silva, 38, é uma das moradoras que ficou sem teto

Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)
6 de 8

Viviane Barros, 42, revisita os escombros da sua propriedade

Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)
7 de 8

Ela e o marido, o rodoviário Wilson Rabelo, 38, ao lado do Pipoco, cavalo de estimação da família

Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)
8 de 8

Murilo Caiado, primo do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, é um dos herdeiros, de acordo com o TJGO

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

A servidora pública Lídia Rosa Silva, 61 anos, é uma das moradoras.


Lídia alega nunca ter sentido tanta dor e decepção. Ela não teve coragem para visitar os escombros da própria casa. “Não consegui descer do carro. Quando passei e vi os tijolos no chão, não consegui”, relata.


“Eu sei cada tijolinho que tem ali. Quantas vezes eu mesma trabalhei fazendo massa de cimento porque eu não tinha dinheiro para pagar o servente…”, afirma Lídia, que mora na Antinha de Baixo há 12 anos.


“Eles tiraram tudo o que era meu. Minha casa, meus bichos, minhas galinhas, minha horta. Acabou tudo, foi tudo destruído.”

A agricultora familiar Katleen Silva, 38, também foi obrigada a deixar o lar em 4 de agosto. “A palavra é dor. O sonho de toda uma vida hoje está aqui”, dissw Katleen à época, apontando para os tijolos de casa quebrados, os móveis largados e algumas peças de roupas perdidas.


A motorista de transporte coletivo Viviane Barros, 42, é mais uma moradora da Antinha de Baixo que viu um trator destruir o imóvel que levou anos para ser erguido. “Nossa vida toda estava aqui. São mais de 10 anos.”






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https://jornalismodigitaldf.com.br/perigo-de-dano-irreparavel-o-voto-de-fachin-sobre-regiao-alvo-dos-caiado/?fsp_sid=190404
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Perigo de dano irreparável: o voto de Fachin sobre região alvo dos Caiado

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Ao votar pela proibição da desocupação das casas da fazenda Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator do processo, levou em conta o “perigo de dano irreparável” para com a comunidade da região caso ela seja repassada a terceiros. A 2ª Turma do STF concluiu, nesta sexta-feira (29/8), a votação de uma liminar sobre o caso, e os quatro ministros da turma acompanharam o relator.


Fachin fundamentou seu voto no fato de a comunidade da Antinha de Baixo ter se identificado como remanescente de quilombo — a população do local impetrou recurso apontando que cidadãos escravizados ocupavam aquelas terras cerca de 400 anos atrás; a Fundação Cultural Palmares aceitou a autodeclaração, e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) solicitou entrada no processo para acompanhar o caso.


“Sopesado o perigo de dano irreparável decorrente do cumprimento de decisão anterior , foi monocraticamente deferida a liminar”, ponderou o Fachin.

“Entendo prudente a imediata suspensão da ordem de desocupação proferida no processo de origem”, declarou.


O ministro utilizou como referência técnica, dentre outros conteúdos, a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que versa sobre os povos indígenas e tribais. O documento leva a “consciência da própria identidade” como critério para determinar grupos tradicionais e pontua: “Estado algum tem o direito de negar a identidade de um povo que se reconheça como tal”.


Votaram acompanhando o relator Fachin os ministros Dias Toffoli, Nunes Marques, Gilmar Mendes e André Mendonça. O mérito da questão deve ser votado posteriormente, sem data prevista.



Família centenária


As citações diretas e indiretas contidas no voto de Fachin evidenciam que a autodeclaração da população como remanescente de quilombo é suficiente para que a terra seja preservada.


A Antinha de Baixo possui moradores centenários até os dias atuais. Um deles é Joaquim Moreira, conhecido como Seu Joaquim, 86 anos. “Meu pai era daqui, minha mãe também. Fiz casa, criei meus filhos aqui… Não tenho outra casa em lugar nenhum”, disse em entrevista ao Metrópoles.


Relembre no vídeo abaixo:





Entenda a batalha judicial



  • Em 28 de julho deste ano, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) expediu mandado de desocupação compulsória de 32 imóveis localizados na fazenda Antinha de Baixo, na zona rural de Santo Antônio do Descoberto (GO).

  • A medida, assinada pela juíza Ailime Virgínia Martins, da 1ª Vara Cível da comarca de Santo Antônio do Descoberto, desapropriava os atuais moradores e dava posse das terras a três pessoas: Luiz Soares de Araújo, Raul Alves de Andrade Coelho e Maria Paulina Boss. Como esses dois últimos já faleceram, os herdeiros deles são os reais beneficiados com a decisão. Em 4 de agosto, a ordem começou a ser cumprida.

  • Um dos herdeiros de Maria Paulina Boss é o desembargador do Tribunal de Justiça (TJGO) Breno Caiado, primo do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Ele atuou como advogado no processo até 2023.

  • Outro herdeiro é o empresário Murilo Caiado, irmão de Breno e primo de Ronaldo. Murilo esteve na Antinha de Baixo acompanhando as desocupações no dia 4 de agosto.

  • No dia seguinte, 5 de agosto, houve uma reviravolta no caso, e os moradores da região tiveram três decisões judiciais de âmbito federal favoráveis: o STF, a Justiça Federal de Anápolis e o próprio TJGO determinaram a suspensão das derrubadas para que se apure a autodeclaração da população que diz que a Antinha de Baixo é uma região quilombola.

  • A determinação do STF, a mais recente, torna a Justiça Federal competente pela comunidade Antinha de Baixo. Assim, o TJGO não tem mais condições de emitir novas ordens de despejo para outras casas.

  • Entretanto, a decisão do STF não invalida medidas anteriores. Por isso, as 32 casas desocupadas em 4 de agosto graças à ordem anterior do TJGO seguem sob posse dos herdeiros de Luiz Soares de Araújo e dos herdeiros de Raul Alves de Andrade Coelho e Maria Paulina Boss.

  • A entrega da competência do caso à Justiça Federal vem após o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pedir à Advocacia-Geral da União (AGU) para atuar no processo como assistente. O pedido do Incra ocorreu após os moradores da Antinha de Baixo declararem ao órgão que aquela região foi ocupada por comunidade tradicional quilombola há cerca de 400 anos.

  • Caso fique comprovado que a região foi habitada por cidadãos escravizados em séculos passados, seguirá cabendo somente à Justiça Federal definições jurídicas sobre a área, como estabeleceu o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2014.




“Tiraram tudo o que era meu”


Como dito acima, ao menos 32 famílias chegaram a ser desapropriadas e ficar sem lugar para morar antes de o STF intervir no caso.


1 de 8

Fazenda Antinha de Baixo, em Santo Antônio do Descoberto (GO)

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População da Antinha de Baixo

Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)
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Região seria quilombola; tal fator levou o STF a suspender as derrubadas

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4 de 8

Lídia Rosa Silva, 61, é uma das moradoras que perderam casa

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Katleen Silva, 38, é uma das moradoras que ficou sem teto

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Viviane Barros, 42, revisita os escombros da sua propriedade

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Ela e o marido, o rodoviário Wilson Rabelo, 38, ao lado do Pipoco, cavalo de estimação da família

Breno Esaki/Metrópoles (@brenoesakifoto)
8 de 8

Murilo Caiado, primo do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, é um dos herdeiros, de acordo com o TJGO

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

A servidora pública Lídia Rosa Silva, 61 anos, é uma das moradoras.


Lídia alega nunca ter sentido tanta dor e decepção. Ela não teve coragem para visitar os escombros da própria casa. “Não consegui descer do carro. Quando passei e vi os tijolos no chão, não consegui”, relata.


“Eu sei cada tijolinho que tem ali. Quantas vezes eu mesma trabalhei fazendo massa de cimento porque eu não tinha dinheiro para pagar o servente…”, afirma Lídia, que mora na Antinha de Baixo há 12 anos.


“Eles tiraram tudo o que era meu. Minha casa, meus bichos, minhas galinhas, minha horta. Acabou tudo, foi tudo destruído.”

A agricultora familiar Katleen Silva, 38, também foi obrigada a deixar o lar em 4 de agosto. “A palavra é dor. O sonho de toda uma vida hoje está aqui”, dissw Katleen à época, apontando para os tijolos de casa quebrados, os móveis largados e algumas peças de roupas perdidas.


A motorista de transporte coletivo Viviane Barros, 42, é mais uma moradora da Antinha de Baixo que viu um trator destruir o imóvel que levou anos para ser erguido. “Nossa vida toda estava aqui. São mais de 10 anos.”






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Paciente que teve câncer perdeu emprego por incontinência urinária

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Em 2009, o então supervisor de segurança José Geraldo de Souza acreditava que estava prestes a se livrar das dores crônicas na coluna. Ele tinha uma cirurgia de hérnia de disco marcada para dali a três dias quando recebeu uma ligação avisando que o procedimento seria cancelado. Os exames preparatórios apontaram que ele tinha um câncer de próstata em estágio avançado.


O supervisor de segurança tinha apenas 55 anos e lembra de ter sentido que o mundo ao seu redor estava desabando com o diagnóstico. “Pensava que já estava com um pé na sepultura! Fiquei muito assustado e com medo de que o câncer tomasse meu corpo”, recorda. Após a orientação do oncologista de como seria o tratamento com radioterapia e com uma cirurgia de remoção da próstata, ele se sentiu mais confiante para encarar o problema.





Câncer de próstata



  • O câncer de próstata é o mais frequente entre os homens, depois do câncer de pele, segundo o Ministério da Saúde.

  • Na fase inicial, o câncer de próstata pode não apresentar sintomas. Os sinais mais comuns incluem dificuldade de urinar, demora em começar e terminar de urinar, sangue na urina, diminuição do jato e necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite.

  • As causas não são totalmente conhecidas, mas alguns fatores como idade, histórico familiar, obesidade, alimentação, tabagismo e exposição a produtos químicos podem aumentar o risco.

  • A doença é confirmada após fazer a biópsia, que é indicada ao encontrar alguma alteração no exame de sangue (PSA) ou no toque retal, que são prescritos a partir da suspeita do médico especialista.




Impacto do tratamento do câncer de próstata


O câncer desapareceu, mas deixou para trás um efeito colateral que acompanhou José Geraldo por anos e o fez até perder seu trabalho: a incontinência urinária. A complicação é frequente após a remoção da próstata, segundo o urologista Cristiano Gomes, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (Seção São Paulo).


“No homem, após a cirurgia de próstata, a incontinência pode ser transitória nos primeiros meses. Nessa fase, a fisioterapia pélvica pode ser muito eficaz e evitar a necessidade de procedimentos. Se a incontinência persiste por vários meses, geralmente é necessário tratamento cirúrgico”, explica o médico.


No caso de José Geraldo, porém, a incontinência tornou impossível o prosseguimento na profissão. Como supervisor de segurança, ele trabalhava em plantões de 13 horas, mas tinha de usar de seis a nove fraldas por dia.


“A incontinência me afastou por cinco anos até eu me aposentar por invalidez. Ela também me aprisionou. Quase não saia de casa e se saísse, tinha que levar fraldas para trocar. Muitas vezes achava que voltaria rápido, mas acabava demorando e chegava em casa com a calça molhada. Isso me deixava muito mal, cheguei a chorar de vergonha”, recorda.

A vergonha da incontinência urinária


Em reuniões ou simples deslocamentos, o constrangimento se repetia. Sofrendo em silêncio ao longo de meses, ele adaptou a vida a horários rígidos de trocas de fraldas. José Geraldo evitava convites sociais — a condição o isolou e corroeu sua confiança.


No Brasil, o problema não é incomum. Um estudo de 2018 publicado na Neurourology and Urodynamics estimou que, no Brasil, cerca de 45% das mulheres e 15% dos homens com mais de 40 anos podem apresentar algum grau do problema.


Embora os casos sejam mais frequentes em mulheres, especialmente as que tiveram muitos filhos de parto normal, são obesas e/ou têm diabetes, nos homens o principal causador da condição é justamente o tratamento para o câncer de próstata. “Nestes casos, o esfíncter urinário pode ser danificado, levando à perda involuntária de urina”, explica Gomes.


Muitos não sabem que há tratamento, tanto fisioterápico como cirúrgico. Outros sequer chegam ao atendimento especializado, limitados pela desigualdade de acesso e pela vergonha de admitirem seus casos. “Pouco se fala sobre o assunto, e isso dificulta que pacientes procurem tratamento”, completa o urologista.


Homem câncer de próstata emprego incontinência urinária (2)
Supervisor de segurança foi afastado de seu trabalho por consequência da incontinência urinária

Uma segunda chance com a cirurgia


José Geraldo só ouviu falar na possibilidade de fazer um tratamento cirúrgico para seu problema em 2011, mais de dois anos após a retirada da próstata. A cirurgia implanta um esfíncter urinário artificial que imita o músculo natural que controla a urina, devolvendo autonomia. Para urinar, o paciente pressiona um balão por duas a três vezes que descomprime a uretra, permitindo a passagem da urina. Após alguns minutos, ele se comprime naturalmente.


O aposentado já estava pensando em como colocar o esfíncter artificial quando teve uma estenose (um estreitamento da uretra que causa um entupimento doloroso). A complicação de emergência fortaleceu a recomendação para a cirurgia de implante, que ele fez poucos dias depois.


Para José Geraldo, foi um divisor de águas. “Foi a maior alegria da minha vida, como se eu tivesse voltado a viver de verdade”, disse após a cirurgia. “Depois do implante, voltei a ter uma vida ativa e normal. Hoje uso apenas um absorvente, porque tenho pequenos escapes, principalmente quando tenho crise de tosse ou esforço exagerado. Mas não dá para comparar: passo o dia inteiro seco, e minha vida voltou ao normal”.


Cirurgia ainda não disponível no SUS


A tecnologia, contudo, ainda não chega a todos. Em 2013, a implantação da tecnologia chegou a ser avaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), mas acabou não entrando no SUS por seus elevados custos.


A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), à época, se manifestou defendendo que a presença da técnica no SUS poderia aumentar a adesão de pacientes ao tratamento de câncer de próstata, mas a Conitec defendeu que era primeiro preciso elaborar uma linha de cuidado da incontinência urinária antes da incorporação isolada de tecnologias para a condição.


Em 2019, a linha de cuidados foi elaborada contemplando apenas cuidados fisioterápicos.


Estima-se que 800 pacientes por ano no SUS desenvolvam incontinência urinária após cirurgia de próstata, mas em 2023, apenas 132 procedimentos foram registrados via convênios.


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Paciente que teve câncer perdeu emprego por incontinência urinária

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Em 2009, o então supervisor de segurança José Geraldo de Souza acreditava que estava prestes a se livrar das dores crônicas na coluna. Ele tinha uma cirurgia de hérnia de disco marcada para dali a três dias quando recebeu uma ligação avisando que o procedimento seria cancelado. Os exames preparatórios apontaram que ele tinha um câncer de próstata em estágio avançado.


O supervisor de segurança tinha apenas 55 anos e lembra de ter sentido que o mundo ao seu redor estava desabando com o diagnóstico. “Pensava que já estava com um pé na sepultura! Fiquei muito assustado e com medo de que o câncer tomasse meu corpo”, recorda. Após a orientação do oncologista de como seria o tratamento com radioterapia e com uma cirurgia de remoção da próstata, ele se sentiu mais confiante para encarar o problema.





Câncer de próstata



  • O câncer de próstata é o mais frequente entre os homens, depois do câncer de pele, segundo o Ministério da Saúde.

  • Na fase inicial, o câncer de próstata pode não apresentar sintomas. Os sinais mais comuns incluem dificuldade de urinar, demora em começar e terminar de urinar, sangue na urina, diminuição do jato e necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite.

  • As causas não são totalmente conhecidas, mas alguns fatores como idade, histórico familiar, obesidade, alimentação, tabagismo e exposição a produtos químicos podem aumentar o risco.

  • A doença é confirmada após fazer a biópsia, que é indicada ao encontrar alguma alteração no exame de sangue (PSA) ou no toque retal, que são prescritos a partir da suspeita do médico especialista.




Impacto do tratamento do câncer de próstata


O câncer desapareceu, mas deixou para trás um efeito colateral que acompanhou José Geraldo por anos e o fez até perder seu trabalho: a incontinência urinária. A complicação é frequente após a remoção da próstata, segundo o urologista Cristiano Gomes, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (Seção São Paulo).


“No homem, após a cirurgia de próstata, a incontinência pode ser transitória nos primeiros meses. Nessa fase, a fisioterapia pélvica pode ser muito eficaz e evitar a necessidade de procedimentos. Se a incontinência persiste por vários meses, geralmente é necessário tratamento cirúrgico”, explica o médico.


No caso de José Geraldo, porém, a incontinência tornou impossível o prosseguimento na profissão. Como supervisor de segurança, ele trabalhava em plantões de 13 horas, mas tinha de usar de seis a nove fraldas por dia.


“A incontinência me afastou por cinco anos até eu me aposentar por invalidez. Ela também me aprisionou. Quase não saia de casa e se saísse, tinha que levar fraldas para trocar. Muitas vezes achava que voltaria rápido, mas acabava demorando e chegava em casa com a calça molhada. Isso me deixava muito mal, cheguei a chorar de vergonha”, recorda.

A vergonha da incontinência urinária


Em reuniões ou simples deslocamentos, o constrangimento se repetia. Sofrendo em silêncio ao longo de meses, ele adaptou a vida a horários rígidos de trocas de fraldas. José Geraldo evitava convites sociais — a condição o isolou e corroeu sua confiança.


No Brasil, o problema não é incomum. Um estudo de 2018 publicado na Neurourology and Urodynamics estimou que, no Brasil, cerca de 45% das mulheres e 15% dos homens com mais de 40 anos podem apresentar algum grau do problema.


Embora os casos sejam mais frequentes em mulheres, especialmente as que tiveram muitos filhos de parto normal, são obesas e/ou têm diabetes, nos homens o principal causador da condição é justamente o tratamento para o câncer de próstata. “Nestes casos, o esfíncter urinário pode ser danificado, levando à perda involuntária de urina”, explica Gomes.


Muitos não sabem que há tratamento, tanto fisioterápico como cirúrgico. Outros sequer chegam ao atendimento especializado, limitados pela desigualdade de acesso e pela vergonha de admitirem seus casos. “Pouco se fala sobre o assunto, e isso dificulta que pacientes procurem tratamento”, completa o urologista.


Homem câncer de próstata emprego incontinência urinária (2)
Supervisor de segurança foi afastado de seu trabalho por consequência da incontinência urinária

Uma segunda chance com a cirurgia


José Geraldo só ouviu falar na possibilidade de fazer um tratamento cirúrgico para seu problema em 2011, mais de dois anos após a retirada da próstata. A cirurgia implanta um esfíncter urinário artificial que imita o músculo natural que controla a urina, devolvendo autonomia. Para urinar, o paciente pressiona um balão por duas a três vezes que descomprime a uretra, permitindo a passagem da urina. Após alguns minutos, ele se comprime naturalmente.


O aposentado já estava pensando em como colocar o esfíncter artificial quando teve uma estenose (um estreitamento da uretra que causa um entupimento doloroso). A complicação de emergência fortaleceu a recomendação para a cirurgia de implante, que ele fez poucos dias depois.


Para José Geraldo, foi um divisor de águas. “Foi a maior alegria da minha vida, como se eu tivesse voltado a viver de verdade”, disse após a cirurgia. “Depois do implante, voltei a ter uma vida ativa e normal. Hoje uso apenas um absorvente, porque tenho pequenos escapes, principalmente quando tenho crise de tosse ou esforço exagerado. Mas não dá para comparar: passo o dia inteiro seco, e minha vida voltou ao normal”.


Cirurgia ainda não disponível no SUS


A tecnologia, contudo, ainda não chega a todos. Em 2013, a implantação da tecnologia chegou a ser avaliada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), mas acabou não entrando no SUS por seus elevados custos.


A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), à época, se manifestou defendendo que a presença da técnica no SUS poderia aumentar a adesão de pacientes ao tratamento de câncer de próstata, mas a Conitec defendeu que era primeiro preciso elaborar uma linha de cuidado da incontinência urinária antes da incorporação isolada de tecnologias para a condição.


Em 2019, a linha de cuidados foi elaborada contemplando apenas cuidados fisioterápicos.


Estima-se que 800 pacientes por ano no SUS desenvolvam incontinência urinária após cirurgia de próstata, mas em 2023, apenas 132 procedimentos foram registrados via convênios.


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Caravana de Proteção Animal movimenta Ceilândia

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A Praça do Trabalhador, em Ceilândia, foi palco neste sábado (30) da 4ª Caravana de Proteção Animal, uma iniciativa da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), com apoio da administração da cidade e de diversos órgãos do GDF. O evento reuniu tutores, pets e famílias em um dia marcado por serviços gratuitos, cidadania e lazer.


“Ver a adesão da comunidade de Ceilândia, com tantos tutores participando, nos mostra que estamos no caminho certo”, afirma a responsável pela caravana, Laís Marinho. “Nosso objetivo é garantir saúde, bem-estar e serviços de qualidade para quem mais precisa”, ressaltou a responsável pela Caravana.


Programação variada


Os  animais levados ao evento receberam vacinação antirrábica, consultas veterinárias, vermifugação e outros cuidados de saúde, garantindo bem-estar e prevenção. Além disso, a população teve acesso a serviços sociais e de cidadania, como emissão de documentos, atendimentos jurídicos, orientação profissional, vagas de emprego e cuidados de beleza.


Outro destaque foi a feira de adoção. Os pets adotados já saíram de lá com todas as vacinas em dia, prontos para iniciar uma nova vida ao lado das famílias. A programação contou ainda com exposição de carros antigos, que atraiu a atenção do público, e atividades recreativas para crianças e adultos.


Morador do P Sul, Sebastião Gomes Viana, levou seu cão chow chow Lion, de 9 anos, para ser vacinado, e falou sobre a iniciativa: “É um evento muito importante para a comunidade, porque traz saúde e cuidados para nossos animais e, ao mesmo tempo, oferece serviços que ajudam a população. Fico feliz em ver Ceilândia recebendo um projeto tão completo como esse”.


O chefe de gabinete da Administração Regional de Ceilândia, João Marcelo de Souza, ressaltou: “Além de garantir vacinação e cuidados para os pets, conseguimos oferecer uma série de serviços sociais para a população, aproximando o governo das pessoas. Ceilândia merece ações como essa, que cuidam dos animais e também das famílias da nossa cidade”.


 


*Com informações da Administração Regional de Ceilândia






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Caravana de Proteção Animal movimenta Ceilândia

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A Praça do Trabalhador, em Ceilândia, foi palco neste sábado (30) da 4ª Caravana de Proteção Animal, uma iniciativa da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), com apoio da administração da cidade e de diversos órgãos do GDF. O evento reuniu tutores, pets e famílias em um dia marcado por serviços gratuitos, cidadania e lazer.


“Ver a adesão da comunidade de Ceilândia, com tantos tutores participando, nos mostra que estamos no caminho certo”, afirma a responsável pela caravana, Laís Marinho. “Nosso objetivo é garantir saúde, bem-estar e serviços de qualidade para quem mais precisa”, ressaltou a responsável pela Caravana.


Programação variada


Os  animais levados ao evento receberam vacinação antirrábica, consultas veterinárias, vermifugação e outros cuidados de saúde, garantindo bem-estar e prevenção. Além disso, a população teve acesso a serviços sociais e de cidadania, como emissão de documentos, atendimentos jurídicos, orientação profissional, vagas de emprego e cuidados de beleza.


Outro destaque foi a feira de adoção. Os pets adotados já saíram de lá com todas as vacinas em dia, prontos para iniciar uma nova vida ao lado das famílias. A programação contou ainda com exposição de carros antigos, que atraiu a atenção do público, e atividades recreativas para crianças e adultos.


Morador do P Sul, Sebastião Gomes Viana, levou seu cão chow chow Lion, de 9 anos, para ser vacinado, e falou sobre a iniciativa: “É um evento muito importante para a comunidade, porque traz saúde e cuidados para nossos animais e, ao mesmo tempo, oferece serviços que ajudam a população. Fico feliz em ver Ceilândia recebendo um projeto tão completo como esse”.


O chefe de gabinete da Administração Regional de Ceilândia, João Marcelo de Souza, ressaltou: “Além de garantir vacinação e cuidados para os pets, conseguimos oferecer uma série de serviços sociais para a população, aproximando o governo das pessoas. Ceilândia merece ações como essa, que cuidam dos animais e também das famílias da nossa cidade”.


 


*Com informações da Administração Regional de Ceilândia






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Projeto 'Eu Já Tive a Sua Idade' conecta gerações e inspira estudantes

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Mais de 400 estudantes das escolas públicas do Distrito Federal participaram das três primeiras edições do projeto Eu Já Tive a Sua Idade, promovido pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF).


A ação itinerante foi realizada nos dias 22, 28 e 29 deste mês, contemplando respectivamente o Centro de Ensino Médio Integrado (Cemi) do Gama, o Centro de Ensino Médio Setor Oeste (Cemso) da Asa Sul e o Centro de Ensino Médio 01 de Planaltina.


“Nós estamos saindo da escola para o mundo, mas é com a vida que vamos realmente aprender a conviver em sociedade. Quanto mais conhecimento a gente adquirir por meio desses bate-papos, maior será o nosso preparo para lidar com os desafios e chegar longe”, disse Júlia Lopes, 18 anos, uma das participantes do encontro no Cemso.


Meninas e meninos


O projeto é voltado especialmente a alunas da rede pública, mas em algumas edições os meninos também participaram, movidos pela curiosidade e pelo interesse em ouvir as histórias compartilhadas. A proposta é simples e eficaz: levar para a sala de aula pessoas idosas que marcaram o cenário cultural e social do DF para transmitir trajetórias, conselhos e aprendizados a quem está prestes a entrar na vida adulta.


Entre as convidadas, já estiveram a professora Silvia Seabra, a jornalista Jane Godoy e a comunicadora Mônica Nóbrega. Para Mônica, o maior valor da iniciativa está em provocar reflexões: “Participar do projeto aproxima gerações e faz com que os adolescentes reflitam sobre temas que serão relevantes para o futuro deles”, afirma.


 Além das personalidades de destaque, cada edição contou com a participação de uma pessoa idosa da própria comunidade escolar — geralmente integrante do programa Viver 60+, coordenado pela Sejus. Em Planaltina, a convidada foi Leonora Cunha, que emocionou os estudantes ao compartilhar  sua trajetória de vida.


Aprendizado
“Essas experiências nos permitem aprender com os jovens, que têm liberdades e oportunidades que eu não tive”, declarou Leonora durante bate-papo com a turma do CEM 01. “Meu conselho é que nunca desistam dos sonhos — vocês têm muito a ensinar e a aprender.”
 



“Levar ações como esta para o ambiente escolar fortalece a conexão entre gerações e ajuda a preparar os jovens para os desafios que virão”


Marcela Passamani, secretária de Justiça e Cidadania


A secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, reforça a relevância do projeto para a formação cidadã: “Levar ações como esta para o ambiente escolar fortalece a conexão entre gerações e ajuda a preparar os jovens para os desafios que virão”.


Inspirado pelo programa Meninas em Ação, do GDF, o Eu Já Tive a Sua Idade se consolida como um espaço de escuta e troca: para as alunas, novas referências e orientação; para as pessoas idosas, a oportunidade de transmitir saberes e, ao mesmo tempo, renovar esperanças ao encontrar as próximas gerações.


 






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Projeto 'Eu Já Tive a Sua Idade' conecta gerações e inspira estudantes

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Mais de 400 estudantes das escolas públicas do Distrito Federal participaram das três primeiras edições do projeto Eu Já Tive a Sua Idade, promovido pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF).


A ação itinerante foi realizada nos dias 22, 28 e 29 deste mês, contemplando respectivamente o Centro de Ensino Médio Integrado (Cemi) do Gama, o Centro de Ensino Médio Setor Oeste (Cemso) da Asa Sul e o Centro de Ensino Médio 01 de Planaltina.


“Nós estamos saindo da escola para o mundo, mas é com a vida que vamos realmente aprender a conviver em sociedade. Quanto mais conhecimento a gente adquirir por meio desses bate-papos, maior será o nosso preparo para lidar com os desafios e chegar longe”, disse Júlia Lopes, 18 anos, uma das participantes do encontro no Cemso.


Meninas e meninos


O projeto é voltado especialmente a alunas da rede pública, mas em algumas edições os meninos também participaram, movidos pela curiosidade e pelo interesse em ouvir as histórias compartilhadas. A proposta é simples e eficaz: levar para a sala de aula pessoas idosas que marcaram o cenário cultural e social do DF para transmitir trajetórias, conselhos e aprendizados a quem está prestes a entrar na vida adulta.


Entre as convidadas, já estiveram a professora Silvia Seabra, a jornalista Jane Godoy e a comunicadora Mônica Nóbrega. Para Mônica, o maior valor da iniciativa está em provocar reflexões: “Participar do projeto aproxima gerações e faz com que os adolescentes reflitam sobre temas que serão relevantes para o futuro deles”, afirma.


 Além das personalidades de destaque, cada edição contou com a participação de uma pessoa idosa da própria comunidade escolar — geralmente integrante do programa Viver 60+, coordenado pela Sejus. Em Planaltina, a convidada foi Leonora Cunha, que emocionou os estudantes ao compartilhar  sua trajetória de vida.


Aprendizado
“Essas experiências nos permitem aprender com os jovens, que têm liberdades e oportunidades que eu não tive”, declarou Leonora durante bate-papo com a turma do CEM 01. “Meu conselho é que nunca desistam dos sonhos — vocês têm muito a ensinar e a aprender.”
 



“Levar ações como esta para o ambiente escolar fortalece a conexão entre gerações e ajuda a preparar os jovens para os desafios que virão”


Marcela Passamani, secretária de Justiça e Cidadania


A secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, reforça a relevância do projeto para a formação cidadã: “Levar ações como esta para o ambiente escolar fortalece a conexão entre gerações e ajuda a preparar os jovens para os desafios que virão”.


Inspirado pelo programa Meninas em Ação, do GDF, o Eu Já Tive a Sua Idade se consolida como um espaço de escuta e troca: para as alunas, novas referências e orientação; para as pessoas idosas, a oportunidade de transmitir saberes e, ao mesmo tempo, renovar esperanças ao encontrar as próximas gerações.


 






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“Sai da frente, senão passo por cima”, disse filho antes de matar mãe

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Ângelo Franco, 22 anos, foi preso pela suspeita de atropelar e matar a própria mãe, Claudia Regina Costa Guerreiro, 56, no Sol Nascente (DF). O caso, registrado como feminicídio, ocorreu por volta das 19h30 dessa sexta-feira (29/8).


Segundo testemunhas, antes de atingir a vítima, o investigado teria dito que, se ela não saísse da frente, “passaria por cima”.


O caso é investigado como feminicídio e foi enquadrado na Lei Maria da Penha. De acordo com o relato de testemunhas, mãe e filho teriam discutido pela posse de um telefone celular, de propriedade de Claudia.


Ainda de acordo com pessoas que conhecem a família, o suspeito é usuário de drogas e teria roubado o celular da mãe para comprar entorpecentes antes do atropelamento.



Leia também



O rapaz saiu da casa com o aparelho e dirigindo o carro da mãe, um veículo Fiat Uno de cor preta. Claudia tentou impedir o filho e ambos discutiram.


O rapaz, então, ameaçou “passar por cima” da mãe e a atingiu com o veículo. O vítima chegou a ser arrastada em plena via pública.


Sangrando muito, especialmente no rosto, a mulher foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Claudia foi levada para o Hospital Regional de Ceilândia, mas não sobreviveu. O óbito foi confirmado por volta das 22h40.


Ângelo Franco foi preso pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) logo após o crime. Os policiais militares prenderam o indivíduo na QNN 1/3.


Ele confessou o atropelamento aos militares e indicou o local onde havia escondido a chave do carro. No veículo, havia vestígios de sangue.


3 imagensPMDF prendeu o indivíduo e apreendeu o veículoFiat Uno estava escondido na QNN 2Fechar modal.1 de 3

Carro usado pelo criminoso ficou com vestígios de sangue

Divulgação/PMDF2 de 3

PMDF prendeu o indivíduo e apreendeu o veículo

Divulgação/PMDF3 de 3

Fiat Uno estava escondido na QNN 2

Divulgação/PMDF

 


Claudia também teria sido agredida antes de ser morta. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam II), em Ceilândia, investiga o caso.






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“Sai da frente, senão passo por cima”, disse filho antes de matar mãe

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Ângelo Franco, 22 anos, foi preso pela suspeita de atropelar e matar a própria mãe, Claudia Regina Costa Guerreiro, 56, no Sol Nascente (DF). O caso, registrado como feminicídio, ocorreu por volta das 19h30 dessa sexta-feira (29/8).


Segundo testemunhas, antes de atingir a vítima, o investigado teria dito que, se ela não saísse da frente, “passaria por cima”.


O caso é investigado como feminicídio e foi enquadrado na Lei Maria da Penha. De acordo com o relato de testemunhas, mãe e filho teriam discutido pela posse de um telefone celular, de propriedade de Claudia.


Ainda de acordo com pessoas que conhecem a família, o suspeito é usuário de drogas e teria roubado o celular da mãe para comprar entorpecentes antes do atropelamento.



Leia também



O rapaz saiu da casa com o aparelho e dirigindo o carro da mãe, um veículo Fiat Uno de cor preta. Claudia tentou impedir o filho e ambos discutiram.


O rapaz, então, ameaçou “passar por cima” da mãe e a atingiu com o veículo. O vítima chegou a ser arrastada em plena via pública.


Sangrando muito, especialmente no rosto, a mulher foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Claudia foi levada para o Hospital Regional de Ceilândia, mas não sobreviveu. O óbito foi confirmado por volta das 22h40.


Ângelo Franco foi preso pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) logo após o crime. Os policiais militares prenderam o indivíduo na QNN 1/3.


Ele confessou o atropelamento aos militares e indicou o local onde havia escondido a chave do carro. No veículo, havia vestígios de sangue.


3 imagensPMDF prendeu o indivíduo e apreendeu o veículoFiat Uno estava escondido na QNN 2Fechar modal.1 de 3

Carro usado pelo criminoso ficou com vestígios de sangue

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PMDF prendeu o indivíduo e apreendeu o veículo

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Fiat Uno estava escondido na QNN 2

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Claudia também teria sido agredida antes de ser morta. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam II), em Ceilândia, investiga o caso.






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Pneumonia: entenda doença que matou o escritor Luis Fernando Verissimo

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A literatura perdeu, neste sábado (30/8), o escritor e cronista Luis Fernando Verissimo, aos 88 anos. Internado desde 11 de agosto no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), para tratar uma pneumonia, Verissimo não resistiu.


Em nota compartilhada ao Metrópoles, o hospital confirmou que a causa da morte foi complicações decorrentes da doença.


Causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas, a condição costuma ser mais grave em crianças ou idosos. Por ter recuperação longa e debilitante, a pneumonia é um grande desafio para os pacientes.


Por que pneumonia é mais grave em idosos


Segundo o pneumologista Renato Calil, da Hapvida, os casos da doença são mais graves em idosos por conta da diminuição da capacidade pulmonar. “Ganhamos volume até os 20, 25 anos e, depois, passamos o restante da vida perdendo”, explica o profissional.


O escritor convivia com limitações motoras e de comunicação ligadas a outros problemas de saúde. Desde 2016, ele utilizava um marca-passo. Em 2020, foi diagnosticado um câncer ósseo. No ano seguinte, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). O escritor já não escrevia mais e também lidava com sintomas da doença de Parkinson.


3 imagensBoletim médico atualiza quadro de Luis Fernando Veríssimo, de 88 anosLuis Fernando Veríssimo posa na bibliotecaFechar modal.1 de 3

Luis Fernando Veríssimo posa sorridente

Divulgação2 de 3

Boletim médico atualiza quadro de Luis Fernando Veríssimo, de 88 anos

Divulgação3 de 3

Luis Fernando Veríssimo posa na biblioteca

Divulgação

 


Sintomas de pneumonia



  • Tosse com expectoração de muco espesso ou com coloração alterada;

  • Dor torácica;

  • Calafrios;

  • Febre;

  • Falta de ar.


Como a pneumonia age no organismo?


Responsável por causar uma infecção aguda que inflama os alvéolos pulmonares – pequenas bolsas presentes nos pulmões –, a pneumonia danifica diretamente as estruturas responsáveis pelas trocas gasosas que fazem as células funcionarem.


Ao invés de se encher de ar, as bolsas do pulmão concentram pus e líquido, dificultando a respiração e causando dor.


“A transmissão ocorre por gotículas contaminadas liberadas ao tossir ou espirrar. Os sintomas de pneumonia incluem tosse, febre, prostração e dificuldade para respirar, além de irritabilidade, dor de cabeça e falta de apetite”, explica a infectologista Lessandra Michelin, líder médica de vacinas da GSK.

A bactéria Streptococcus pneumoniae, também chamada de pneumococo, é uma das principais causadoras da doença. A gravidade da condição varia de casos leves até fatais, a depender das condições ou faixa etária do paciente.


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