GDF amplia oportunidades de emprego, no esporte e investe na mobilidade para as pessoas com deficiência

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Cuidar da população é assistir e prestar serviços em todas as áreas. Mais do que isso, um governo deve promover oportunidades independentemente do público. No Distrito Federal, as pessoas com deficiência (PcDs) têm apoio do Governo do Distrito Federal em áreas essenciais, da mobilidade ao emprego e também no esporte.


A Agência Brasília conta, a seguir, algumas dessas histórias, que fazem parte da série de reportagens Esta é a Nossa História, com o objetivo de levar o cidadão a conhecer como os projetos do governo mudaram a realidade das pessoas nestes últimos seis anos.


O programa DF Acessível ajuda Deise Maria da Silva a levar o filho Enzo a compromissos semanais: “Os motoristas são muito educados. As vans chegam sempre com uma 1h de antecedência e, quando há algum imprevisto, sempre nos avisam” | Fotos: Tony Oliveira/Agência Brasília


No campo da mobilidade, o programa DF Acessível representa segurança, conforto e economia para cerca de 2 mil pessoas com mobilidade reduzida severa. Lançada em 2021, a iniciativa fornece transporte gratuito na modalidade “porta a porta” para pacientes inscritos no Cadastro da Pessoa com Deficiência (CadPcD) e acompanhantes a consultas, terapias e outros serviços de saúde, sejam públicos ou particulares.



R$ 18 milhões


Investimento em três anos para a ampliação do programa DF Acessível



Uma dessas duas mil pessoas é a estudante Deise Maria da Silva, 30 anos. Moradora de Planaltina, ela utiliza o programa há cerca de um ano para levar o filho Enzo Emanuel, 8, a compromissos semanais. O menino está em estado vegetativo persistente e requer cuidados especializados. “Ele é tractomizado e precisa do meu apoio constante”, pontua a mãe.


Antes, os deslocamentos até as consultas eram feitos por conta própria e comprometiam o orçamento da dona de casa. Semanalmente, o gasto com combustível chegava a R$ 350 e prejudicava o pagamento de outras contas da família. Agora, basta selecionar a data e o horário da consulta previamente e, pronto, transporte garantido.


“Esse benefício é muito importante, principalmente para as mães. O custo para levar meu filho para todos os lugares era muito alto”, conta Deise. Sobre o atendimento, ela tem apenas elogios: “Os motoristas são muito educados. As vans chegam sempre com uma 1h de antecedência e, quando há algum imprevisto, sempre nos avisam.”



O DF Acessível passa por todas as regiões administrativas e, atualmente, conta com 35 vans, que levam de dois a quatro pacientes por vez. “Moro no Núcleo Rural Pipiripau II, em Planaltina, e sempre que faço o agendamento, eles vão até lá para me buscar. A estrada de chão não é obstáculo”, conta a dona de casa Ana Lídia Gonçalves, 40, mãe do pequeno Levi, 10, que é autista, e do Gael, 5, cadeirante. A distância da residência da família até o Plano Piloto é de cerca de 40 km.


Em média, ela usa o programa seis vezes por mês para consultas do Gael com fisioterapeuta, neuropediatra e neurocirurgião, entre outras especialidades. “Não preciso mais vir dirigindo e acabo economizando uns R$ 400, com certeza”, conta Ana Lídia. “Esse serviço facilitou muito a minha vida. Eles nos pegam no horário certinho, normalmente não tem atraso, e nos levam em segurança.”


Ampliação


A dona de casa Ana Lídia Gonçalves usa o DF Acessível seis vezes por mês para consultas médicas de Gael: “Não preciso mais vir dirigindo e acabo economizando uns R$ 400, com certeza”


Neste ano, o serviço atenderá também a população com doença renal crônica (DRC) que necessita de terapia renal substitutiva (TRS), levando os pacientes para a realização de hemodiálise no Complexo Regulador em Saúde ou em redes conveniadas. O DF Acessível – TCB Hemodiálise será operado pela TCB em colaboração com a Secretaria de Saúde.


Em três anos, a ampliação do programa receberá um investimento de R$ 18 milhões. A expectativa é que mais de 350 pessoas sejam atendidas já neste ano. “É um serviço gratuito importantíssimo para garantir a cidadania dessas pessoas com deficiência. Nosso objetivo é expandir a quantidade de vans disponíveis para que mais pessoas tenham acesso a serviços essenciais para a saúde e qualidade de vida delas”, declara o secretário da Pessoa com Deficiência, Flávio Pereira dos Santos.


Para solicitar uma viagem, a pessoa com deficiência deve estar com o cadastro aprovado no Cadastro da Pessoa com Deficiência (CadPcD) e, então, realizar o agendamento por meio do site Agenda DF. Mais informações estão disponíveis no site da TCB e da Secretaria da Pessoa com Deficiência.


Emprego e dignidade


Diagnosticada desde os 14 anos com visão monocular, Danielce Soares é uma das 130 pessoas beneficiadas pela cooperação entre a Secretaria da Pessoa com Deficiência (SEPD) e empresas do DF


O GDF também se faz presente no campo do emprego. Para a assistente administrativa Danielce Maria Soares Alves, 40, a palavra oportunidade traduz a mudança de trajetória de vida ao adentrar no mercado de trabalho por meio do programa Cadastro de Empregabilidade. “Passei muitos anos me especializando na minha área, para me destacar e se não fosse a chance de mostrar meu trabalho, se não acreditassem em mim, eu não teria conseguido”, admite.


Danielce é uma das 130 pessoas beneficiadas pela cooperação entre a Secretaria da Pessoa com Deficiência (SEPD) e empresas do DF. De acordo com dados do setor de empregabilidade da SEPD, de fevereiro de 2024 até janeiro deste ano são 59 parceiras com vagas disponíveis. A parceria com as empresas foi firmada por meio de um Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério Público do Trabalho, que exige que as empresas que não cumprem a Lei de Cotas reservem um percentual de vagas para o segmento de PcDs.



“Possibilitamos que as pessoas com deficiência conquistem espaços, estejam em lugares de decisão e ocupem profissões necessárias dentro da sociedade. É uma forma de viabilizar que as qualificações das pessoas com deficiência sejam utilizadas e promover representatividade dentro dessas grandes empresas”


Flávio Pereira dos Santos, secretário da Pessoa com Deficiência



Diagnosticada desde os 14 anos com visão monocular, Danielce Maria Soares Alves, 40, enfrentou dificuldades até conseguir a vaga que almejava. “Por ser PcD, os gestores e as pessoas acabam olhando para a gente como seres incapazes; mas, na verdade, o que a gente quer é mostrar nossa capacidade, que somos fortes e que estamos ali para contribuir com o crescimento do país e também da capital”, destaca a assistente administrativa.


Nesse o processo, Danielce enfrentou diversos questionamentos, entre eles a possibilidade de não se identificar como pessoa com deficiência ou de duvidar se apareceriam oportunidades para ela. “Durante o período em que eu trabalhei como não PCD, busquei me qualificar para não ser vista apenas como cota e sim, ter visibilidade como a profissional que merecia uma oportunidade igual a todos no mercado de trabalho”, diz orgulhosa.


Assim como Danielce, o jovem Matheus Marques Luiz, 28, também encontrou uma oportunidade no programa. “Fui diagnosticado com autismo aos 21 anos e sempre enfrentei dificuldades para interagir com as pessoas. Então, quando consegui a vaga de ajudante de eletricista e pude ficar em uma área mais reclusa, fiquei muito satisfeito”, conta.


Outro benefício da vaga foi o respeito dentro do local de trabalho. “Nas outras vagas que trabalhei acabei ficando pouco tempo, porque as empresas me demitiram sem dar um motivo. Agora estou realmente satisfeito, porque encontrei uma área que me adaptei e que as pessoas me respeitam”, comemora Matheus.



A fim de reduzir as barreiras de acesso a postos de trabalho, o cadastro de empregabilidade tem como objetivo assegurar o processo de inclusão do cidadão PcD no mercado de trabalho, atendendo ao Estatuto da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal, estabelecido pela Lei nº 6.637, de 20 de julho de 2020.


“Possibilitamos que as pessoas com deficiência conquistem espaços, estejam em lugares de decisão e ocupem profissões necessárias dentro da sociedade. É uma forma de viabilizar que as qualificações das pessoas com deficiência sejam utilizadas e promover representatividade dentro dessas grandes empresas”, destaca Flávio Pereira dos Santos.


Para se candidatar às vagas oferecidas pela SEPD, é necessário que o interessado esteja inscrito no Cadastro da Pessoa com Deficiência (CadPCD), que gera documentos comprobatórios, como a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea) e o Cartão de Identificação da Pessoa com Deficiência.


Após cadastro e aprovação, o candidato deve preencher o formulário de Empregabilidade, no site da SEPD, e anexar o currículo.


Inclusão através do esporte


Centros olímpicos e paralímpicos do DF oferecem atividades inclusivas, como o goalball, esporte em que os jogadores utilizam as percepções táteis e auditivas para arremessar e defender uma bola com guizo em direção ao gol


Incentivar a prática de esportes e mostrar que portar alguma deficiência não é impeditivo para se divertir e socializar. Também neste campo, o GDF oferece atividades inclusivas nos 12 centros olímpicos e paralímpicos localizados (COPs) em diversas regiões administrativas, além de seis polos de centros de iniciação desportiva paralímpicos (CIDPs) da rede pública de ensino.


Entre as modalidades oferecidas nos COPs, o goalball foi a que chamou a atenção de Cauã Rodrigues de Jesus, 18, diagnosticado desde os 4 anos com retinose pigmentar, doença que compromete a visão ao longo do tempo. Referência em Brasília, o esporte é praticado por pessoas com deficiência visual, que utilizam as percepções táteis e auditivas para arremessar e defender uma bola com guizo em direção ao gol. Durante a partida os paratletas ficam com os olhos vendados.


“Dentro do goalball eu aprendi que, mesmo deficiente visual, tenho a capacidade de fazer o que quiser”, afirma Cauã Rodrigues de Jesus


“Depois que comecei a frequentar as aulas, minha vida melhorou muito: em questão de locomoção, de segurança e de autonomia”, relata Cauã, que pratica o esporte no COP de São Sebastião. A partir do esporte, o atleta passou a ter curiosidade e segurança para conhecer novas modalidades: “O goalball me deu coragem de começar a andar de skate, de bicicleta e a correr, por exemplo. Foi fundamental para me acostumar com a deficiência e a ganhar confiança. Dentro do goalball eu aprendi que, mesmo deficiente visual, tenho a capacidade de fazer o que quiser”, conta o jovem, que tem como objetivo participar da seleção brasileira.


Jefferson Gonçalves fala da transformação em sua vida desde que começou a praticar goalball, há 10 anos: “Mudou em mim a questão da maturidade, a de querer ser um humano melhor e a pensar mais no próximo, já que jogamos em coletivo”


Companheira de jornada do atleta, a mãe Carlione Rodrigues, 38, percebeu uma grande mudança no filho, desde que ele entrou para o esporte. “Antes ele passava o dia inteiro trancado em casa, sem fazer nada, com depressão mesmo. Mas depois do goalball, ele se tornou um jovem alegre, com mais autonomia e hoje faz tudo sozinho. Sou muito grata aos professores e ao projeto”, comemora a manicure.


Há quase 10 anos no esporte, a vida de Jefferson Gonçalves, 26, também foi transformada a partir do goalball. “Mudou em mim a questão da maturidade, a de querer ser um humano melhor e a pensar mais no próximo, já que jogamos em coletivo”, reflete o atleta. Nascido em Santa Cruz Cabrália, município localizado no sul da Bahia, a família de Jefferson veio para Brasília em busca de um tratamento para o filho. Apesar de não conseguir recuperar a visão, o jovem se deparou com mais oportunidades na capital. “Quando eu vim para cá, percebi que havia muita acessibilidade na escola, além da chance de me destacar no esporte. Pelo goalball, consegui comprar minha casa própria e construir minha própria família”, relata, orgulhoso.










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https://jornalismodigitaldf.com.br/gdf-amplia-oportunidades-de-emprego-no-esporte-e-investe-na-mobilidade-para-as-pessoas-com-deficiencia/?fsp_sid=133594
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GDF amplia oportunidades de emprego, no esporte e investe na mobilidade para as pessoas com deficiência

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Cuidar da população é assistir e prestar serviços em todas as áreas. Mais do que isso, um governo deve promover oportunidades independentemente do público. No Distrito Federal, as pessoas com deficiência (PcDs) têm apoio do Governo do Distrito Federal em áreas essenciais, da mobilidade ao emprego e também no esporte.


A Agência Brasília conta, a seguir, algumas dessas histórias, que fazem parte da série de reportagens Esta é a Nossa História, com o objetivo de levar o cidadão a conhecer como os projetos do governo mudaram a realidade das pessoas nestes últimos seis anos.


O programa DF Acessível ajuda Deise Maria da Silva a levar o filho Enzo a compromissos semanais: “Os motoristas são muito educados. As vans chegam sempre com uma 1h de antecedência e, quando há algum imprevisto, sempre nos avisam” | Fotos: Tony Oliveira/Agência Brasília


No campo da mobilidade, o programa DF Acessível representa segurança, conforto e economia para cerca de 2 mil pessoas com mobilidade reduzida severa. Lançada em 2021, a iniciativa fornece transporte gratuito na modalidade “porta a porta” para pacientes inscritos no Cadastro da Pessoa com Deficiência (CadPcD) e acompanhantes a consultas, terapias e outros serviços de saúde, sejam públicos ou particulares.



R$ 18 milhões


Investimento em três anos para a ampliação do programa DF Acessível



Uma dessas duas mil pessoas é a estudante Deise Maria da Silva, 30 anos. Moradora de Planaltina, ela utiliza o programa há cerca de um ano para levar o filho Enzo Emanuel, 8, a compromissos semanais. O menino está em estado vegetativo persistente e requer cuidados especializados. “Ele é tractomizado e precisa do meu apoio constante”, pontua a mãe.


Antes, os deslocamentos até as consultas eram feitos por conta própria e comprometiam o orçamento da dona de casa. Semanalmente, o gasto com combustível chegava a R$ 350 e prejudicava o pagamento de outras contas da família. Agora, basta selecionar a data e o horário da consulta previamente e, pronto, transporte garantido.


“Esse benefício é muito importante, principalmente para as mães. O custo para levar meu filho para todos os lugares era muito alto”, conta Deise. Sobre o atendimento, ela tem apenas elogios: “Os motoristas são muito educados. As vans chegam sempre com uma 1h de antecedência e, quando há algum imprevisto, sempre nos avisam.”



O DF Acessível passa por todas as regiões administrativas e, atualmente, conta com 35 vans, que levam de dois a quatro pacientes por vez. “Moro no Núcleo Rural Pipiripau II, em Planaltina, e sempre que faço o agendamento, eles vão até lá para me buscar. A estrada de chão não é obstáculo”, conta a dona de casa Ana Lídia Gonçalves, 40, mãe do pequeno Levi, 10, que é autista, e do Gael, 5, cadeirante. A distância da residência da família até o Plano Piloto é de cerca de 40 km.


Em média, ela usa o programa seis vezes por mês para consultas do Gael com fisioterapeuta, neuropediatra e neurocirurgião, entre outras especialidades. “Não preciso mais vir dirigindo e acabo economizando uns R$ 400, com certeza”, conta Ana Lídia. “Esse serviço facilitou muito a minha vida. Eles nos pegam no horário certinho, normalmente não tem atraso, e nos levam em segurança.”


Ampliação


A dona de casa Ana Lídia Gonçalves usa o DF Acessível seis vezes por mês para consultas médicas de Gael: “Não preciso mais vir dirigindo e acabo economizando uns R$ 400, com certeza”


Neste ano, o serviço atenderá também a população com doença renal crônica (DRC) que necessita de terapia renal substitutiva (TRS), levando os pacientes para a realização de hemodiálise no Complexo Regulador em Saúde ou em redes conveniadas. O DF Acessível – TCB Hemodiálise será operado pela TCB em colaboração com a Secretaria de Saúde.


Em três anos, a ampliação do programa receberá um investimento de R$ 18 milhões. A expectativa é que mais de 350 pessoas sejam atendidas já neste ano. “É um serviço gratuito importantíssimo para garantir a cidadania dessas pessoas com deficiência. Nosso objetivo é expandir a quantidade de vans disponíveis para que mais pessoas tenham acesso a serviços essenciais para a saúde e qualidade de vida delas”, declara o secretário da Pessoa com Deficiência, Flávio Pereira dos Santos.


Para solicitar uma viagem, a pessoa com deficiência deve estar com o cadastro aprovado no Cadastro da Pessoa com Deficiência (CadPcD) e, então, realizar o agendamento por meio do site Agenda DF. Mais informações estão disponíveis no site da TCB e da Secretaria da Pessoa com Deficiência.


Emprego e dignidade


Diagnosticada desde os 14 anos com visão monocular, Danielce Soares é uma das 130 pessoas beneficiadas pela cooperação entre a Secretaria da Pessoa com Deficiência (SEPD) e empresas do DF


O GDF também se faz presente no campo do emprego. Para a assistente administrativa Danielce Maria Soares Alves, 40, a palavra oportunidade traduz a mudança de trajetória de vida ao adentrar no mercado de trabalho por meio do programa Cadastro de Empregabilidade. “Passei muitos anos me especializando na minha área, para me destacar e se não fosse a chance de mostrar meu trabalho, se não acreditassem em mim, eu não teria conseguido”, admite.


Danielce é uma das 130 pessoas beneficiadas pela cooperação entre a Secretaria da Pessoa com Deficiência (SEPD) e empresas do DF. De acordo com dados do setor de empregabilidade da SEPD, de fevereiro de 2024 até janeiro deste ano são 59 parceiras com vagas disponíveis. A parceria com as empresas foi firmada por meio de um Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério Público do Trabalho, que exige que as empresas que não cumprem a Lei de Cotas reservem um percentual de vagas para o segmento de PcDs.



“Possibilitamos que as pessoas com deficiência conquistem espaços, estejam em lugares de decisão e ocupem profissões necessárias dentro da sociedade. É uma forma de viabilizar que as qualificações das pessoas com deficiência sejam utilizadas e promover representatividade dentro dessas grandes empresas”


Flávio Pereira dos Santos, secretário da Pessoa com Deficiência



Diagnosticada desde os 14 anos com visão monocular, Danielce Maria Soares Alves, 40, enfrentou dificuldades até conseguir a vaga que almejava. “Por ser PcD, os gestores e as pessoas acabam olhando para a gente como seres incapazes; mas, na verdade, o que a gente quer é mostrar nossa capacidade, que somos fortes e que estamos ali para contribuir com o crescimento do país e também da capital”, destaca a assistente administrativa.


Nesse o processo, Danielce enfrentou diversos questionamentos, entre eles a possibilidade de não se identificar como pessoa com deficiência ou de duvidar se apareceriam oportunidades para ela. “Durante o período em que eu trabalhei como não PCD, busquei me qualificar para não ser vista apenas como cota e sim, ter visibilidade como a profissional que merecia uma oportunidade igual a todos no mercado de trabalho”, diz orgulhosa.


Assim como Danielce, o jovem Matheus Marques Luiz, 28, também encontrou uma oportunidade no programa. “Fui diagnosticado com autismo aos 21 anos e sempre enfrentei dificuldades para interagir com as pessoas. Então, quando consegui a vaga de ajudante de eletricista e pude ficar em uma área mais reclusa, fiquei muito satisfeito”, conta.


Outro benefício da vaga foi o respeito dentro do local de trabalho. “Nas outras vagas que trabalhei acabei ficando pouco tempo, porque as empresas me demitiram sem dar um motivo. Agora estou realmente satisfeito, porque encontrei uma área que me adaptei e que as pessoas me respeitam”, comemora Matheus.



A fim de reduzir as barreiras de acesso a postos de trabalho, o cadastro de empregabilidade tem como objetivo assegurar o processo de inclusão do cidadão PcD no mercado de trabalho, atendendo ao Estatuto da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal, estabelecido pela Lei nº 6.637, de 20 de julho de 2020.


“Possibilitamos que as pessoas com deficiência conquistem espaços, estejam em lugares de decisão e ocupem profissões necessárias dentro da sociedade. É uma forma de viabilizar que as qualificações das pessoas com deficiência sejam utilizadas e promover representatividade dentro dessas grandes empresas”, destaca Flávio Pereira dos Santos.


Para se candidatar às vagas oferecidas pela SEPD, é necessário que o interessado esteja inscrito no Cadastro da Pessoa com Deficiência (CadPCD), que gera documentos comprobatórios, como a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea) e o Cartão de Identificação da Pessoa com Deficiência.


Após cadastro e aprovação, o candidato deve preencher o formulário de Empregabilidade, no site da SEPD, e anexar o currículo.


Inclusão através do esporte


Centros olímpicos e paralímpicos do DF oferecem atividades inclusivas, como o goalball, esporte em que os jogadores utilizam as percepções táteis e auditivas para arremessar e defender uma bola com guizo em direção ao gol


Incentivar a prática de esportes e mostrar que portar alguma deficiência não é impeditivo para se divertir e socializar. Também neste campo, o GDF oferece atividades inclusivas nos 12 centros olímpicos e paralímpicos localizados (COPs) em diversas regiões administrativas, além de seis polos de centros de iniciação desportiva paralímpicos (CIDPs) da rede pública de ensino.


Entre as modalidades oferecidas nos COPs, o goalball foi a que chamou a atenção de Cauã Rodrigues de Jesus, 18, diagnosticado desde os 4 anos com retinose pigmentar, doença que compromete a visão ao longo do tempo. Referência em Brasília, o esporte é praticado por pessoas com deficiência visual, que utilizam as percepções táteis e auditivas para arremessar e defender uma bola com guizo em direção ao gol. Durante a partida os paratletas ficam com os olhos vendados.


“Dentro do goalball eu aprendi que, mesmo deficiente visual, tenho a capacidade de fazer o que quiser”, afirma Cauã Rodrigues de Jesus


“Depois que comecei a frequentar as aulas, minha vida melhorou muito: em questão de locomoção, de segurança e de autonomia”, relata Cauã, que pratica o esporte no COP de São Sebastião. A partir do esporte, o atleta passou a ter curiosidade e segurança para conhecer novas modalidades: “O goalball me deu coragem de começar a andar de skate, de bicicleta e a correr, por exemplo. Foi fundamental para me acostumar com a deficiência e a ganhar confiança. Dentro do goalball eu aprendi que, mesmo deficiente visual, tenho a capacidade de fazer o que quiser”, conta o jovem, que tem como objetivo participar da seleção brasileira.


Jefferson Gonçalves fala da transformação em sua vida desde que começou a praticar goalball, há 10 anos: “Mudou em mim a questão da maturidade, a de querer ser um humano melhor e a pensar mais no próximo, já que jogamos em coletivo”


Companheira de jornada do atleta, a mãe Carlione Rodrigues, 38, percebeu uma grande mudança no filho, desde que ele entrou para o esporte. “Antes ele passava o dia inteiro trancado em casa, sem fazer nada, com depressão mesmo. Mas depois do goalball, ele se tornou um jovem alegre, com mais autonomia e hoje faz tudo sozinho. Sou muito grata aos professores e ao projeto”, comemora a manicure.


Há quase 10 anos no esporte, a vida de Jefferson Gonçalves, 26, também foi transformada a partir do goalball. “Mudou em mim a questão da maturidade, a de querer ser um humano melhor e a pensar mais no próximo, já que jogamos em coletivo”, reflete o atleta. Nascido em Santa Cruz Cabrália, município localizado no sul da Bahia, a família de Jefferson veio para Brasília em busca de um tratamento para o filho. Apesar de não conseguir recuperar a visão, o jovem se deparou com mais oportunidades na capital. “Quando eu vim para cá, percebi que havia muita acessibilidade na escola, além da chance de me destacar no esporte. Pelo goalball, consegui comprar minha casa própria e construir minha própria família”, relata, orgulhoso.










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Obras na ESPM: Equipes trabalham para ligar rede de drenagem sob linha do metrô

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As obras da Estrada Setor Policial Militar (ESPM) chegaram a um ponto fundamental. A rede de drenagem já conta com dois trechos prontos, faltando apenas a ligação entre eles. Essa ligação precisa ser feita sob os trilhos do metrô, na altura da Estação Asa Sul, o que demanda um cuidado redobrado. E é esse trabalho que está sendo executado agora, com previsão de conclusão para a próxima semana.


“A gente teve que ter muito cuidado, porque não pode deixar que desça nem um centímetro a linha do metrô. Então foi feito um projeto todo específico para esse ponto, são 26 metros que a gente precisa vencer aqui . Por isso toda essa operação com guindaste e uma tubulação específica que vem lá de São Paulo, para que a gente possa fazer essa obra com todo o cuidado com a linha do metrô”, explicou o secretário de Obras e Infraestrutura, Valter Casimiro.


A construção da nova rede de drenagem na Estrada Setor Policial Militar chegou a um ponto fundamental: dois trechos estão prontos, faltando apenas a ligação entre eles | Fotos: Joel Rodrigues/Agência Brasília


“O grande problema é você ter diferença de nível de um trilho para o outro, porque corre até risco de descarrilamento das composições. Por isso o estudo aqui teve que ser muito apurado, toda noite a gente vem aqui – quando o metrô está fora de operação, é feito o monitoramento para ver se a via está baixando e se não está tendo problema nenhum”, acrescentou Aires Soares, engenheiro da pasta.



A reforma da ESPM conta com investimento de cerca de R$ 48 milhões e prevê, entre outras medidas, a construção de um corredor exclusivo para ônibus, ciclovia, calçadas, viadutos, sinalização e paisagismo, além da rede de drenagem. A obra integra o chamado Corredor Eixo Oeste, que terá 38,7 km de extensão, ligando as principais vias do Sol Nascente/Pôr do Sol ao Plano Piloto. O objetivo é reduzir, para 30 minutos, o tempo de deslocamento entre as duas regiões.


A construção da rede de drenagem é uma das principais ações na nova ESPM. Por ela, águas pluviais captadas desde a Estrada Parque Indústrias Gráficas (Epig) seguirão até uma bacia de detenção perto do aeroporto. “A gente sabe que as mudanças climáticas têm trazido muitos transtornos, como as chuvas intensas, toda vez com alagamento e com enxurrada. Então, a gente está ampliando toda a capacidade de drenagem da cidade, e isso não é diferente aqui na ESPM, onde foi feito um redimensionamento do sistema de drenagem da Epig — que recebe toda a água do Sudoeste —, do Setor Policial Militar e dessa região da Estação Asa Sul, para que a gente diminua os transtornos de alagamentos e enxurradas”, enfatizou Valter Casimiro.


A cobradora Dilvânia Rabelo aprova os serviços que estão sendo feitos na EPSM: Agora, depois dessas obras, a gente tem esperança que tudo mude, porque dá muito engarrafamento, atrapalha as viagens”, apontou a cobradora Dilvânia Rabelo. “Na Asa Sul tem muito caso de alagamento quando chove forte, muitos ônibus ficam travados. Acabando com os alagamentos, melhora o metrô, a circulação das pessoas, dos ônibus, tudo melhora”, emendou o autônomo Carlos Eduardo da Costa.








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https://jornalismodigitaldf.com.br/obras-na-espm-equipes-trabalham-para-ligar-rede-de-drenagem-sob-linha-do-metro/?fsp_sid=133581
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Obras na ESPM: Equipes trabalham para ligar rede de drenagem sob linha do metrô

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As obras da Estrada Setor Policial Militar (ESPM) chegaram a um ponto fundamental. A rede de drenagem já conta com dois trechos prontos, faltando apenas a ligação entre eles. Essa ligação precisa ser feita sob os trilhos do metrô, na altura da Estação Asa Sul, o que demanda um cuidado redobrado. E é esse trabalho que está sendo executado agora, com previsão de conclusão para a próxima semana.


“A gente teve que ter muito cuidado, porque não pode deixar que desça nem um centímetro a linha do metrô. Então foi feito um projeto todo específico para esse ponto, são 26 metros que a gente precisa vencer aqui . Por isso toda essa operação com guindaste e uma tubulação específica que vem lá de São Paulo, para que a gente possa fazer essa obra com todo o cuidado com a linha do metrô”, explicou o secretário de Obras e Infraestrutura, Valter Casimiro.


A construção da nova rede de drenagem na Estrada Setor Policial Militar chegou a um ponto fundamental: dois trechos estão prontos, faltando apenas a ligação entre eles | Fotos: Joel Rodrigues/Agência Brasília


“O grande problema é você ter diferença de nível de um trilho para o outro, porque corre até risco de descarrilamento das composições. Por isso o estudo aqui teve que ser muito apurado, toda noite a gente vem aqui – quando o metrô está fora de operação, é feito o monitoramento para ver se a via está baixando e se não está tendo problema nenhum”, acrescentou Aires Soares, engenheiro da pasta.



A reforma da ESPM conta com investimento de cerca de R$ 48 milhões e prevê, entre outras medidas, a construção de um corredor exclusivo para ônibus, ciclovia, calçadas, viadutos, sinalização e paisagismo, além da rede de drenagem. A obra integra o chamado Corredor Eixo Oeste, que terá 38,7 km de extensão, ligando as principais vias do Sol Nascente/Pôr do Sol ao Plano Piloto. O objetivo é reduzir, para 30 minutos, o tempo de deslocamento entre as duas regiões.


A construção da rede de drenagem é uma das principais ações na nova ESPM. Por ela, águas pluviais captadas desde a Estrada Parque Indústrias Gráficas (Epig) seguirão até uma bacia de detenção perto do aeroporto. “A gente sabe que as mudanças climáticas têm trazido muitos transtornos, como as chuvas intensas, toda vez com alagamento e com enxurrada. Então, a gente está ampliando toda a capacidade de drenagem da cidade, e isso não é diferente aqui na ESPM, onde foi feito um redimensionamento do sistema de drenagem da Epig — que recebe toda a água do Sudoeste —, do Setor Policial Militar e dessa região da Estação Asa Sul, para que a gente diminua os transtornos de alagamentos e enxurradas”, enfatizou Valter Casimiro.


A cobradora Dilvânia Rabelo aprova os serviços que estão sendo feitos na EPSM: Agora, depois dessas obras, a gente tem esperança que tudo mude, porque dá muito engarrafamento, atrapalha as viagens”, apontou a cobradora Dilvânia Rabelo. “Na Asa Sul tem muito caso de alagamento quando chove forte, muitos ônibus ficam travados. Acabando com os alagamentos, melhora o metrô, a circulação das pessoas, dos ônibus, tudo melhora”, emendou o autônomo Carlos Eduardo da Costa.








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Mulher morre após carro em que estava tombar no Polo JK

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Uma mulher de 37 anos morreu após o carro em que estava tombar no Trecho 01, conjunto 09, do Polo JK, em Santa Maria, por volta das 6h deste domingo (6/4).


Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), o veículo que a mulher dirigia, um Fiat Uno Vivace vermelho, tombou em uma estrutura de que funcionava como uma espécie de guard rail.


Veja:


5 imagens
Carro tomba no Polo JK
A motorista do automóvel não sobreviveu
Socorristas foram acionados, mas a vítima sofreu ferimentos fatias
Um homem estava no carro e sobreviveu
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Carro tomba no Polo JK

Divulgação / CBMDF
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A motorista do automóvel não sobreviveu

Divulgação / CBMDF
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Socorristas foram acionados, mas a vítima sofreu ferimentos fatias

Divulgação / CBMDF
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Um homem estava no carro e sobreviveu

Divulgação / CBMDF


Ao chegar ao local, os socorristas constataram que a motorista não tinha sinais vitais.


Um homem que estava no carro nada sofreu. Ele não precisou ser transportado para um hospital.


As circunstâncias do acidente estão em investigação. A Polícia Militar (PMDF) ficou responsável pelo local e Polícia Civil (PCDF) foi acionada.






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Uma mulher de 37 anos morreu após o carro em que estava tombar no Trecho 01, conjunto 09, do Polo JK, em Santa Maria, por volta das 6h deste domingo (6/4).


Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), o veículo que a mulher dirigia, um Fiat Uno Vivace vermelho, tombou em uma estrutura de que funcionava como uma espécie de guard rail.


Veja:


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Carro tomba no Polo JK
A motorista do automóvel não sobreviveu
Socorristas foram acionados, mas a vítima sofreu ferimentos fatias
Um homem estava no carro e sobreviveu
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Carro tomba no Polo JK

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A motorista do automóvel não sobreviveu

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Socorristas foram acionados, mas a vítima sofreu ferimentos fatias

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Um homem estava no carro e sobreviveu

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Ao chegar ao local, os socorristas constataram que a motorista não tinha sinais vitais.


Um homem que estava no carro nada sofreu. Ele não precisou ser transportado para um hospital.


As circunstâncias do acidente estão em investigação. A Polícia Militar (PMDF) ficou responsável pelo local e Polícia Civil (PCDF) foi acionada.






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“Vivi 2 anos com sonda”, diz paciente que fez 18 cirurgias abdominais

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Em dezembro de 2015, João Pedro Domingues, então com 25 anos, sentiu uma dor intensa que irradiava do abdômen para as costas. Naquele momento, ele não sabia que uma pancreatite aguda o acometia e alteraria sua vida para sempre.


O tratamento das consequências da inflamação levou o jornalista, hoje com 34 anos, a passar por mais de 18 cirurgias abdominais e a viver por dois anos se alimentando por meio de sonda.


João Pedro foi para o hospital acreditando ter uma crise de gastrite, já que tinha crises de vômito e dificuldades de se alimentar. Mas acabou sendo diagnosticado com pancreatite, o que o obrigou a ter sua primeira sonda.



“Eles tiveram que passar uma sonda nasogástrica, aquela que passa pelo nariz, já que eu precisava que deixar de comer imediatamente para pode cuidar da pancreatite. Essa sonda também ajudava na limpeza da região afetada. Acho que sem ela eu não teria sobrevivido”, lembra João Pedro.


O diagnóstico de João Pedro


A pancreatite é a inflamação do pâncreas, órgão que produz enzimas e hormônios digestivos. “Esta complicação tem um desenvolvimento rápido e pode causar necrose tecidual e levar ao óbito se não tratada a tempo”, explica a nutricionista Thaílla Fontenele, de Brasília.


Com o diagnóstico confirmado, a primeira cirurgia foi realizada duas semanas depois da internação para remover a parte do pâncreas que estava necrosada, mas o processo estava longe de terminar. Nos dois anos seguintes, João Pedro teve que fazer múltiplos procedimentos para tentar retirar as inflamações.


“Eu até tinha uma previsão de alta, lá em dezembro de 2015, mas não aconteceu por conta de uma infecção hospitalar devido à primeira cirurgia. Acho que foram mais de 18 cirurgias para lavagem de cavidade, para tirar pus e bactérias e evitar uma infecção generalizada. Tive que ir ao centro cirúrgico três vezes em uma mesma semana”, comenta sobre o longo período de hospitalização.


Alimentação por sonda: um suporte vital


Enquanto João Pedro se submetia às constantes cirurgias, a alimentação enteral (por sonda) se manteve por cinco meses como a única forma de garantir a nutrição dele. Mesmo quando voltou a integrar líquidos e alimentos aos poucos na dieta, este tipo de nutrição se manteve para garantir sua saúde.


A nutrição enteral faz a introdução de alimentos diretamente no trato gastrointestinal por meio de sondas, evitando a desnutrição, problema grave para pacientes internados por longos períodos.


De acordo com a nutricionista Kathia Schmider, coordenadora técnica da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais (ABIAD), a abordagem é vital para indivíduos com dificuldades de absorção de nutrientes, como ocorre também em muitos casos pós-cirúrgicos.


“Essas fórmulas são desenvolvidas para garantir que, independentemente do tipo de acesso, o paciente receba os nutrientes de forma adequada, segura e eficaz. As vias de acesso mais utilizada em adultos são a nasogástrica e nasoduodenal. Mas existem também as que não dependem do nariz, como a gastrostomia e jejunostomia ”, explica ela.


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João ao lado da nutricionista Valéria Rosenfeld, que cuidou de sua nutrição
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"Essa no corredor do Hospital da Lagoa com a equipe de enfermagem e minha mãe (na minha esquerda)", diz João Pedro

Repródução/Acervo pessoal
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João ao lado da nutricionista Valéria Rosenfeld, que cuidou de sua nutrição

Repródução/Acervo pessoal

Resiliência e cuidados constantes


A internação de João Pedro se estendeu por dois anos. Além da sonda enteral, neste período ele também usou a paraenteral — em que se administram nutrientes através de cateteres intravenosos —, após descobrir que uma ferida no intestino fazia com que 20% de tudo que ingeria vazasse para o abdômen.


Durante esse período, o rapaz precisou não só de cuidados médicos, mas também de um preparo psicológico constante. “A ansiedade e a incerteza eram enormes, mas mantive a calma e a confiança”, afirma. Segundo ele, esse equilíbrio emocional foi crucial para suportar as dificuldades e se manter focado na recuperação.


O sucesso no tratamento de João Pedro não foi resultado de um único fator, mas da combinação de diversas ações e da colaboração de profissionais de diferentes áreas. Além dos médicos, a participação de nutricionistas, enfermeiros e outros especialistas foi crucial.


“Eu era muito vigilante com a limpeza da sonda, do cateter e com os cuidados com ele, porque sabia que era a minha saída, era o que me permitia estar ali lutando pela vida”, conta João Pedro, que teve a dieta modificada ao longo do tempo, com formulações específicas para sua condição.


Após os cinco meses iniciais, os nutricionistas decidiram iniciar procedimentos de alimentos pastosos com o jornalista. “Lembro de começar com os sorvetes, mas levou mais de um ano e meio para retomar a alimentação. Eu me lembro do dia em que pude comer coisas fora do hospital e comi um churrasco. Nossa, foi maravilhoso”, recorda.


A mudança de perspectiva: a colostomia


Além das cirurgias e da alimentação enteral, João Pedro também precisou lidar com a utilização de uma bolsa de colostomia, que permaneceu com ele por um ano. Para muitos pacientes, o uso desse dispositivo pode ser um desafio emocional. O jornalista, no entanto, encontrou maneiras de contornar o estigma.


“Usava a bolsa com naturalidade, ia à praia, ao cinema, como qualquer pessoa. Até no Maracanã eu fui — não senti vergonha. Para mim, a bolsa representava uma possibilidade de continuar com a vida, mesmo em meio a tantas limitações”, diz. A atitude positiva e a capacidade de enxergar além das dificuldades foram fundamentais para que ele mantivesse uma rotina minimamente normal neste longo tratamento.


A recuperação em uma cirurgia final


Após mais de um ano e meio de tratamento, João Pedro finalmente começou a se alimentar normalmente, sem a necessidade de sonda ou bolsas. Sua última cirurgia, uma reconstrução do trânsito intestinal, foi decisiva para a recuperação.


“Essa era uma cirurgia de alto risco, mas após tantos procedimentos acreditamos que valeria a pena tentar. Ali retiraram a parte do meu intestino que estava comprometida e descobriram que um cálculo na vesícula, que nunca tinha sido diagnosticado, foi o causador da pancreatite inicial. Então tiraram a minha vesícula também”, diz João Pedro.


Desde então, ele pôde voltar a se alimentar normalmente e retomou sua vida. “Foi o que me deu alta, o que me fez voltar a viver sem os dispositivos”, relata com alívio. Hoje, o jornalista não precisa de nenhuma nutrição especial.


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Lobista de emendas repassou dinheiro a pessoa com foro, diz Coaf

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Apontado como lobista de emendas em dois ministérios do governo federal, Gustavo Mascarenhas Sobral fez transações suspeitas em 2022 com uma pessoa com foro privilegiado, segundo investigação da Polícia Federal (PF).


Sobral foi alvo da 3ª fase da Overclean, deflagrada na última quinta-feira (3/4). Ele é apontado por pessoas envolvidas na apuração como lobista que intermediava a liberação de emendas nos ministérios da Integração e Desenvolvimento Regional e no da Agricultura.


A informação sobre a transação suspeita consta em Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Atividades Financeira (Coaf) entregue à PF no âmbito da operação que investiga desvios milionário em obras custeadas com emendas parlamentares.


“Destaca, ainda, a Polícia Federal que, no RIF 119832.2.8526.10767, há o registro, entre diversas transações suspeitas, de uma movimentação financeira em 2022 de Gabriel Mascarenhas para uma pessoa com prerrogativa de foro no Superior Tribunal de Justia ou Supremo Tribunal Federal”, diz trecho da decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 3ª fase da Overclean.


O Coaf, segundo a PF, também “considerou suspeito” o volume de movimentações financeiras, dado o “perfil socioeconômico declarado e os recebimentos de depósitos de forma fracionada” de Gabriel Sobral.


Segundo a investigação, Sobral era “peça chave” na organização criminosa investigada por que operacionalizava a liberação de emendas com objetivo de favorecer as empresas de Alex Parente, entre elas a Allpha Pavimentações.


Conhecido como Rei do Lixo, o empresário José Marcos de Moura foi preso e solto na operação Overclean. Ele integra a cúpula nacional do União Brasil.
Conhecido como Rei do Lixo, o empresário José Marcos de Moura foi preso e solto na operação Overclean. Ele integra a cúpula nacional do União Brasil.

“Atua na liberação indevida de emenda parlamentares e na celebração fraudulenta de convênios com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA)”, diz trecho da decisão sobre Sobral.


As empresas de Alex e do seu irmão, Fabio Parente, têm contratos milionários bancados com emendas parlamentares. Ambos são investigados na operação, junto com José Marcos de Moura, conhecido como o Rei do Lixo na Bahia e que também foi alvo da operação nesta semana.


Como mostrou a coluna, Marcos Moura fez R$ 80 milhões em transações suspeitas, segundo o Coaf. Uma delas, no valor de R$ 435 mil, com uma pessoa com foro privilegiado. 


O ministro cita ainda na decisão informação da PF de que possíveis contratos de responsabilidade de Gabriel Mascarenhas  Sobral em cidades do interior paulista. Os contratos, no valor total de R$ 11 milhões, constam em planilhas apreendidas com Alex Parente e Lucas Lobão, ex-coordenador do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) na Bahia.


A planilha foi encontrada em 3 de dezembro, quando a PF fez buscas em um avião em que estavam Alex e Lucas. O mtarial, diz a PF, é a “contabilidade clandestina” da organização criminosa alvo da operação.



Overclean


A investigação teve início para apurar desvios em um contrato do DNOCS, mas expandiu seu foco após quebras de sigilo telemático e gravações ambientais que mostraram a atuação de um grupo de empresas em contratos milionários firmados com o governo federal e administrações estaduais e municipais.


Apesar de estar nas ruas há pouco tempo, a Overclean tem causado tensão entre políticos dado seu potencial em atingir padrinhos de emendas parlamentares que bancaram contratos milionários sob suspeita.


Como mostrou a coluna, uma citação ao deputado Elmar Nascimento (União Brasil) fez com que o caso subisse da 1ª instância da Justiça Federal para o STF. A investigação aponta para a relação de pelo menos cinco integrantes da cúpula nacional do União Brasil com o caso.


Ao lado do Rei do Lixo, os irmãos Alex e Fábio Parente são apontados como líderes do grupo investigado e foram alvos na primeira fase da operação, em dezembro de 2024.


Parente é sócio ao lado do irmão de empresas investigadas, entre elas, a Allpha Pavimentações. A PF encontrou R$ 50 mil em dinheiro com ele durante a busca realizada na quinta-feira (3/4).


Como mostrou a coluna, a Allpha, via DNOCS, já recebeu R$ 67 milhões do governo federal, do total de cerca de R$ 130 milhões em contratos assinados entre 2021 e 2024.






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