Dispositivo brasileiro simula tecidos e pode reduzir testes em animais
Tecnologia brasileira cultiva células em 3D e permite avaliar medicamentos em condições próximas ao organismo humano e animal
Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), desenvolveram um dispositivo microscópico capaz de cultivar células em três dimensões e submetê-las a testes em condições mais próximas das encontradas no organismo. A tecnologia pode ajudar no desenvolvimento de medicamentos, na avaliação da toxicidade de materiais e na redução do uso de animais em pesquisas.
O estudo foi publicado em 10 de julho na revista científica ACS Measurement Science Au. A plataforma utiliza microfluídica, técnica que controla pequenas quantidades de líquidos em canais microscópicos e permite regular o fluxo de nutrientes, oxigênio e substâncias durante os experimentos.
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Nos testes convencionais, células costumam crescer sobre superfícies planas. Na plataforma, elas formam estruturas tridimensionais chamadas esferoides, que reproduzem melhor algumas características dos tecidos.
O estudo trabalhou com modelos celulares 3D e demonstrou que a plataforma pode ser utilizada tanto para cultivar as estruturas quanto para testar substâncias sob fluxo contínuo. Os principais avanços apresentados são:
Possibilidade de estudar a ação de medicamentos e outras substâncias em condições dinâmicas.
Um dos diferenciais está no design reversível. Ao contrário de plataformas permanentemente seladas, o dispositivo pode ser aberto depois do experimento, permitindo retirar os modelos celulares para análises complementares.
“Desenvolvemos um protocolo simples e reprodutível, que permitirá o uso da plataforma por pesquisadores de diferentes áreas. Além disso, a possibilidade de recuperar os modelos celulares após os ensaios amplia significativamente as análises que podem ser realizadas”, afirmou Iris Renata Sousa Ribeiro, pesquisadora de pós-doutorado do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano-CNPEM) e primeira autora do estudo, à Agência Fapesp.
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