Avanços científicos podem demorar anos para impactar vida do paciente
Caminho entre pesquisa científica e consultório passa pelo senso crítico e análise caso a caso. Nem sempre é simples juntar teoria e prática
Ano após ano, a medicina tem avançado em diversas áreas. Estudos científicos pequenos e grandes são responsáveis pelo progresso que eleva as práticas clínicas do dia a dia, trazendo métodos mais eficazes e terapêuticas que permitem aos pacientes maiores chances de tratamento e cura.
Mas, como essas evidências são transformadas em decisões clínicas capazes de melhorar o tratamento dos pacientes?
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De acordo com cardiologistas, não é simples implementar as novidades na prática. É preciso saber como interpretar esses estudos e ter senso crítico, fazer uma tradução das publicações para aplicar em diretrizes e protocolos e integrar a melhor evidência disponível com os valores e as preferências do paciente.
O coordenador de Cardiologia da Rede D’Or em São Paulo, regional Oeste, Fábio Augusto De Luca, explica que esse ciclo que só se fecha quando os desfechos para os pacientes são comprovados na prática.
“Não basta adotar uma conduta nova, é preciso acompanhar se ela está de fato reduzindo mortalidade, complicações e reinternações, ou melhorando a qualidade de vida. Quando o médico se mantém atualizado, a instituição estrutura protocolos e o resultado é monitorado. Assim, a evidência científica deixa de ser um artigo em uma revista e vira o que realmente importa: um paciente melhor cuidado”, destaca.
De Luca esclarece que nem todo estudo tem o mesmo peso: ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e meta-análises estão no topo. As sociedades médicas fazem o trabalho de filtragem e consenso, e as instituições de saúde transformam dados científicos em rotinas.
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