Serasa: endividamento sobe e bate recorde com 82,8 milhões de pessoas

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O Brasil tem 82,8 milhões de endividados. O número das pessoas que não conseguem pagar as dívidas em dia no país foi divulgado pela Serasa nesta terça-feira (5/5), um dia após o governo federal lançar um programa para reduzir este contingente.


O número representa aumento de 1,35% em relação ao levantamento anterior, de fevereiro deste ano. Em fevereiro, conforme a instituição, havia 81,7 milhões de pessoas que não conseguiam pagar as dívidas em dia. O total de 82,8 milhões de endividados representa 49% da população adulta.


Além do aumento do contingente de pessoas endividadas, também houve crescimento no valor da dívida média total por pessoa. Em relação a fevereiro, a alta foi de 1,98%, o que fez o valor chegar a R$ 6.728,51.


Cada pessoa tem, em média, conforme a Serasa, quatro dívidas. Cada uma delas tem valor médio de R$ 1.647,64.


Ao todo, existem 338,2 mil dívidas que somam R$ 557 bilhões em valores. Este número cresceu 3,35% em relação ao levantamento de fevereiro deste ano.


A pesquisa da Serasa ouviu ao todo 1.904 pessoas que têm dívidas não pagas em todo o país, em abril deste ano. Elas permitiram a instituição levantar que 38% apontam o desemprego ou a perda de renda como o principal fator para a inadimplência. No entanto, os fatores gastos de emergência (16%), descontrole/desorganização financeira (13%), apoio financeiro a familiares ou amigos (10%) e atraso no pagamento de contas básicas (7%), representam uma parcela maior, ou seja, 46%.


Diretora da Serasa, Aline Maciel chama a atenção para o fato de o endividamento elevado e da inadimplência recorde ocorrerem mesmo diante de um momento bom para a geração de emprego.


“Mesmo com os índices de desemprego bons, a gente tem ele como um opressor , vemos que ainda tem espaço para piorar essa percepção. É algo para a gente ficar em alerta”, pontua Maciel.

A taxa de desocupação ficou em 6,1% nos três primeiros meses do ano, conforme dados divulgados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, na última quinta-feira (30/4), pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE).


Conforme o levantamento, 47% das dívidas dos brasileiros estão concentrados no setor financeiro:



  • 27,3% bancos/cartão de crédito;

  • 21% utilidades (contas básicas, como água, luz e gás);

  • 20,2% financeiras;

  • 11,5 serviços.


Programa do governo


O governo federal lançou, nessa segunda-feira (4/5), o programa Novo Desenrola Brasil, que visa a reduzir o endividamento recorde da população.


A iniciativa, que terá duração de 90 dias, vai conceder descontos de até 90% em dívidas e provocar o refinanciamento com juros mais baixos, limitados a 1,99% ao mês.




O programa atua em linhas diferentes:



  • Desenrola Famílias: renegociação de dívidas atrasadas, uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviços (FGTS), consignado Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e consignado público;

  • Desenrola Fies;

  • Desenrola Empresas: Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e Programa Acredita (ProCred); e

  • Desenrola Rural.




No caso do desenrola famílias, são elegíveis as dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, nas modalidades de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC). Podem participar as pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).


Confiança


Do total, 71% dos entrevistados na pesquisa afirmaram que já tentaram negociar as dívidas bancárias. Na pesquisa divulgada nesta terça, 45% dos entrevistados responderam, em múltipla escolha, que se sentiriam mais confiante se houvesse:




  • acordo com desconto (69%);

  • redução nos juros (64%);

  • parcelamento acessível (58%); e

  • aumento da renda (36%).


A diretora vê com bons olhos o novo programa do governo federal para redução no endividamento e na inadimplência. No entanto, ressalva que outras medidas são necessárias, bem como a educação financeira e a redução nas taxas de juros no país.


“O programa sozinho não vai fazer milagre. A gente viu o programa passado, ele acaba suavizando a inadimplência, mas sabemos que se outras ações não forem tomadas, a gente não vai ter a inversão na curva da dívida, porque a gente tem um estoque altíssimo de dívidas”, afirma Maciel.

No aplicativo


A Serasa afirma que parte das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN) tem convênio com a instituição. Este grupo mantém ofertas de renegociação, inclusive nos termos do Novo Desenrola Brasil, que podem ser acessadas diretamente no aplicativo da Serasa.


Conforme a instituição, a plataforma privada concentra 7,7 milhões de ofertas no âmbito do Novo Desenrola Brasil e 691 milhões ao todo, contemplando 2 mil empresas parceiras.



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