Projeto apoiado pela FAPDF desenvolve tecnologia para controle de voo de foguetes

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Projeto apoiado pela FAPDF desenvolve tecnologia para controle de voo de foguetes

Projeto apoiado pela FAPDF desenvolve tecnologia para controle de voo de foguetes

Pesquisa da UnB avança no desenvolvimento de sistema de vetorização de empuxo, tecnologia estratégica para ampliar a autonomia aeroespacial do Brasil

A Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) incentiva o desenvolvimento de uma tecnologia considerada estratégica para o setor aeroespacial brasileiro: o sistema de vetorização de empuxo para motores de foguetes. A pesquisa é realizada na Universidade de Brasília (UnB), no Laboratório de Propulsão Química (CPL), sob coordenação do professor Olexiy Shynkarenko.

O projeto "Desenvolvimento e teste do sistema de vetorização de empuxo para motores de foguetes” foi contemplado pelo edital Demanda Espontânea, na modalidade de pesquisa tecnológica, com investimento de R$ 140 mil. A proposta tem como objetivo desenvolver e testar um sistema compacto de vetorização de empuxo em nível de maturidade tecnológica TRL 4, que corresponde à validação de componentes em ambiente de laboratório.

Na prática, o empuxo é a força de propulsão gerada pelo motor para impulsionar o foguete. O sistema de vetorização de empuxo permite controlar a direção dessa força, corrigindo e orientando a trajetória durante o voo. Essa tecnologia é fundamental para veículos suborbitais, foguetes de sondagem e futuras aplicações em sistemas espaciais mais complexos.

Segundo o professor Olexiy Shynkarenko, coordenador do projeto e do Laboratório de Propulsão Química da UnB, a equipe já dominava estudos de propulsão híbrida em motores de pequeno porte. O desenvolvimento do sistema de vetorização de empuxo, conhecido pela sigla TVC, foi o passo seguinte para avançar da propulsão estática para o controle ativo de voo.

“A capacidade de controlar a trajetória é o que viabiliza veículos espaciais guiados”, destaca o pesquisador.

A tecnologia tem importância estratégica porque o controle de voo é uma das etapas mais sensíveis do desenvolvimento aeroespacial. Em situações de baixa velocidade ou em ambientes de vácuo, por exemplo, o controle por superfícies aerodinâmicas não é suficiente. Nesses casos, direcionar o empuxo do motor se torna essencial para manter a trajetória planejada.

Além do impacto científico, o domínio dessa tecnologia também contribui para a soberania tecnológica do país. De acordo com o pesquisador, sistemas desse tipo costumam ter acesso restrito no mercado internacional, o que reforça a necessidade de desenvolver soluções nacionais para reduzir a dependência de fornecedores externos.

O projeto envolve diferentes etapas de pesquisa, desenvolvimento e validação. O trabalho começa com cálculos estruturais e simulações computacionais, usados para prever o comportamento do fluxo de gases, das temperaturas e dos esforços mecânicos envolvidos. Depois, a equipe desenvolve a parte mecânica do sistema, realiza a prototipagem e faz testes de integração com eletrônica e atuadores.

Na etapa final, o sistema é acoplado a um motor de foguete em bancada de testes, permitindo a realização de ensaios em condições próximas às necessárias para validar a tecnologia em ambiente laboratorial. Esse processo é o que caracteriza o avanço do projeto para o TRL 4, nível que indica a validação de um componente em laboratório.

Outro ponto importante é a preocupação em utilizar materiais, componentes e capacidades industriais disponíveis no Brasil. A equipe priorizou componentes comerciais, ligas metálicas de fácil acesso e processos convencionais de fabricação, de forma a tornar o sistema mais viável para produção nacional e reduzir gargalos de importação.

O desenvolvimento do sistema de vetorização de empuxo pode fortalecer a posição do Brasil no setor aeroespacial ao permitir que projetos nacionais avancem da fabricação de componentes isolados para a engenharia de sistemas integrados.

A pesquisa também pode abrir oportunidades para empresas nacionais, startups e indústrias de alta tecnologia. Isso porque o sistema envolve áreas como atuadores eletromecânicos, aquisição de dados, algoritmos de controle e integração mecatrônica, conhecimentos que também podem ser aplicados em automação, robótica e sistemas de posicionamento de precisão.

Para o Distrito Federal, o projeto contribui diretamente para a formação de recursos humanos qualificados, especialmente na área de Engenharia Aeroespacial da UnB. A proposta também tem potencial para ampliar a produção científica, gerar cooperações com empresas do setor e fortalecer o ecossistema de ciência, tecnologia e inovação local.

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