Pai viaja mais de 400 km por semana para visitar filha de três meses em UTI

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Bruno Brandão – Ascom HGWA – Texto e fotos

Maria Layla está internada há três meses na UTI Neonatal do Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara após ser diagnosticada com encefalopatia hipóxico isquêmica

São mais de 400 km que separam Alex da Silva Gonçalves da pequena Maria Layla. Natural do município de Cedro, no interior cearense, Gonçalves visita semanalmente a filha, internada desde o seu nascimento, há três meses, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA). Aos 20 anos, o servente de pedreiro, pai de primeira viagem, acompanha a mãe, a jovem Ysmenia Sousa, em cada visita, que ocorre duas vezes por semana, a depender da ida do transporte ofertado pelo município onde vivem.

A rota mais frequente do casal para Fortaleza iniciou com a internação da recém-nascida. Após uma complicação no parto, Layla foi diagnosticada como encefalopatia hipóxico isquêmica (EIH), síndrome decorrente de um evento grave de falta de fornecimento sanguíneo e de oxigênio. Apesar de evoluir bem, a bebê tem a UTI Neonatal da unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) como sua casa. Os funcionários do hospital são seus primeiros contatos sociais. Na semana do Dia dos Pais, Gonçalves conta que um de seus maiores desejos é ver a filha recebendo alta para, assim, conhecer seu verdadeiro lar.

“Há três meses, eu venho para cá e só vou deixar de vir quando ela receber alta. É uma emoção grande. Agradeço muito a Deus por tudo. Meu desejo é ir pra casa agora. Já tem muitas coisas que compramos [para ela] e estão guardadinhas”, conta.

Funcionários do HGWA são os primeiros contatos sociais da pequena Maria Layla

O jovem recorda uma dos momentos mais especiais da sua vida: o dia do nascimento de Layla. Foram mais de 12 horas de trabalho de parto — em um hospital do Interior — até a pequena rebentar. Com a chegada da primogênita, no entanto, o pai revela que sentiu medo, principalmente após o diagnóstico. “Minha esposa demorou bastante para ter o bebê. Ela entrou 9h da manhã no hospital e só teve o bebê às 1h da madrugada. Após o parto, ela não estava chorando, então o médico viu a urgência e a encaminhou para a Emergência. Eu agradeço demais a Deus que ela conseguiu sobreviver”.

A psicóloga da UTI Neonatal Joyce Hilário explica que a maioria dos pais também sofrem ao acompanhar os bebês internados com cuidados intensivos. Muitos têm o desejo de levar o recém-nascido para casa, embora a presença do pai nas visitas ainda não seja tão recorrente.

Responsabilidade no cuidar

A profissional destaca que é fundamental colocar o pai como responsável no cuidar. “Um dos focos do nosso trabalho na Neonatologia é o exercício da parentalidade. Isso não é só função da mãe, mas também do pai. Ele não é só um coadjuvante, mas também deve vir para receber o bebê, deve cuidar, dar suporte emocional, colocar no colo e exercer sua paternidade. Até na amamentação ele pode participar, já que temos a mamadeira e outros utensílios de apoio”, explica.

Sobre o caso de Maria Layla, a psicóloga reforça o exemplo da participação paterna nesse momento. “Esse pai desde sempre é muito engajado. Ele tinha muitos receios, sempre acompanhava e não perguntava tanto. Quando ele começou a escutar a equipe, compreendeu mais o tratamento, permitindo a sua participação e recebendo também o suporte emocional”, completa.





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