Polícia Civil faz operação contra o PCC no Distrito Federal

Há seis meses, a Deco mapeia as ações do chamado “líder do PCC-DF” na capital da República. Facção age dentro e fora dos presídios

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Nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (10/4), a Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco), da Polícia Civil, deflagrou uma megaoperação para conter o avanço da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no Distrito Federal. No total, foram expedidos 54 mandados de prisão.

Foram cumpridos 30 mandados de prisão em cadeias no Entorno do DF e cinco nas cidades de Luziânia e Águas Lindas, ambas em Goiás. Há, ainda, mandados contra outros dois integrantes da organização criminosa, presos na Papuda,  e um no Centro de Progressão Penitenciária (CPP), no SIA.

Há seis meses, a Deco mapeia a localização do chamado “líder do PCC-DF”, que comandaria todas as ações da facção na capital da República. Os investigadores identificaram o chefe da filial criminosa em um presídio, no Paraná. Gilvane de Assis, 33 anos, cumpre pena na Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçú II e foi alvo de um dos oito mandados de busca e apreensão que a Deco cumpriu na cadeia paranaense na última semana.

Na cela de Gilvane, os investigadores apreenderam um livro com diversos manuscritos que apontam o nome, o apelido e a função de todos os integrantes que fazem parte da célula do PCC no DF. As investigações identificaram que o preso, mesmo encarcerado em um presídio no sul do país, conseguia enviar ordens por meio de celular a outros criminosos que estavam tanto nas ruas da capital do país quanto nas cadeias do Entorno.

As determinações envolviam a prática de crimes como roubos de veículos, tráfico de drogas e armas, além de homicídios.

Nível de organização
Os integrantes do PCC, de acordo com as apurações da Deco, possuíam alto grau de organização. O tráfico de drogas era feito de forma ordenada, com fornecedores e distribuidores bem definidos. Os carregamentos sempre vinham do Paraguai. O armamento usado pelos criminosos também era composto por armas mais pesadas e sofisticadas.

A função e a hierarquia de cada um dos integrantes do PCC que age no DF estão bem definidas no livro apreendido pela Deco. A facção nomeou um criminoso específico para comandar os que estão soltos nas ruas, enquanto outros são responsáveis por coordenar as operações em cada uma das cadeias do Entorno e do DF. Nos documentos, foram identificadas mais de 30 funções.

“Há o coordenador geral, o que tem o papel de difundir as informações do PCC, os que coordenam adolescentes, os que têm a missão de repor as armas, os que organizam os presos por tráfico de drogas e vão atrás de assistência jurídica e, assim, vai”, explica chefe-adjunto da Deco, Adriano Valente..

Na Papuda, as ordens chegam por meio de mensagens levadas pelos visitantes, advogados e por cartas endereçadas ao presos. No DF, segundo a polícia, todos os integrantes da organização criminosa presos estão identificados e isolados do restante da massa carcerária, sem exercer influência sobre os outros internos.

A operação desta segunda é a terceira realizada pela Deco contra a facção no Distrito Federal. A primeira foi em 2014, quando os policiais descobriram que integrantes do grupo pagavam até R$ 400 por mês de contribuição para manter a estrutura criminosa.

Em 2015, duas advogadas foram denunciadas por serem mensageiras da facção, levando e trazendo informações para os integrantes do grupo que estavam presos, além de celulares. Ganhavam mais de R$ 4 mil pelo serviço.

As operações, entretanto, não foram suficientes para estancar o crescimento da facção no Distrito Federal.