Apreensões de drogas em 2017 no DF devem superar as realizadas em 2016

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Segundo o diretor da Coordenação de Entorpecentes da Polícia Civil do DF, o número de apreensões deve superar, ou pelo menos igualar, tudo o que foi pego em 2016

Após realizar grandes operações contra o tráfico de drogas, a Polícia Civil do Distrito Federal estima que as apreensões de 2017 devem superar as de 2016. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), durante o ano passado, as polícias militar e civil apreenderam 3.912kg de maconha, 105kg de cocaína, 141kg de crack, 44kg de haxixe, além de 150 comprimidos de ecstasy, 820 frascos (100ml) de lança-perfume e 2.432 microsselos de LSD.
Segundo o delegado Rodrigo Bonach, diretor da Coordenação de Entorpecentes (Cord) da PCDF, com base nos dados parciais da cooporação, a quantidade que será interceptada ao longo do ano vai superar esse montante. “Somente nos três primeiros meses do ano, já pegamos cerca de 1.200kg de maconha, mais 80kg de cocaína pura e pelo menos 500 comprimidos de drogas sintéticas, o que representa uma quantidade expressiva”, salientou.
Os valores realmente são significativos: a maconha apreendida neste ano já representa 30,6% do total de 2016. Já os 80kg de cocaína equivalem a 76,1% do que foi pego no ano anterior. “Com as grandes operações que estamos realizando, a tendência é que ultrapasse, ou ao menos iguale, as apreensões do ano passado”, prevê o delegado.

Apreensões em várias cidades

Em fevereiro, grandes ações foram realizadas pela Polícia Civil. No dia 10, a Operação Up apreendeu 10,5 litros de lança perfume. No dia 14, a Operação Carnaval sem Drogas interceptou 15kg de cocaína em Samambaia e Taguatinga. Já no dia 22 de fevereiro, a PCDF realizou a Operação Enigma, que pegou 20kg de cocaína no Gama, e a Irmandade, que aprendeeu 1t de maconha, 37kg de cocaína e 500 comprimidos de ecstasy em Alexânia (GO). A apreensão da droga sintética cresceu 233%, se comparado com o ano anterior. Em março, a PCDF fez a maior apreensão de rohypnol do ano, com 3 mil comprimidos e realizou a Operação Palermo, que culminou na apreensão de 60kg de maconha.
Segundo o delegado Rodrigo Bonach, com base nos dados parciais da cooporação, a quantidade que será interceptada ao longo do ano vai superar o montante de 2016
O delegado destaca que o aumento dos números se deve ao fato de os traficantes estarem “mudando de área” por questões econômicas. Quem antes trazia cigarros para o país de forma ilegal migrou para o tráfico de drogas por conta dos valores de revenda. No DF, de acordo com o diretor da Cord, o quilo da maconha pode chegar a custar entre R$ 1.500 e R$ 1.800. O valor pago pela mesma quantidade de cocaína varia entre R$ 2.000 e R$ 2.200, o que torna a prática bastante lucrativa. “Porém, o risco e as penas para o tráfico de drogas são muito maiores, e os criminosos vão pagar o preço por isso”, alerta.

Logística do tráfico

Boa parte da droga que chega ao Distrito Federal é oriunda de países sul-americanos. O Paraguai, por exemplo, é o principal fornecedor da maconha que chega à capital federal. Já a cocaína que entra em território brasiliense, costuma ser produzida na Bolívia, Colômbia e Peru.
Esse fato, segundo Bonach, é um empecilho para as ações de coibição. “O Paraguai é um grande produtor de maconha e cria um fluxo gigantesco para dentro do Brasil. A fiscalização existe, mas a demanda acaba indo além da capacidade operacional de nossas polícias”, argumenta.
Por conta da localização geográfica, a rota da droga dentro do Brasil se concentra em Goiás. O estado é considerado ponto estratégico na ação de distribuição das substâncias por parte dos traficantes, que estocam grandes quantidades em território goiano e abastecem outros pontos do país, como as regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste.
Segundo o diretor da Cord, o trabalho em conjunto entre as unidades da Polícia Civil de todo país é de extrema importância para obstruir as ações de realocação da droga. “Temos uma interação constante com a Civil de Goiás e de outros estados em relação a essas investigações. À medida que os casos vão evoluindo, vamos compartilhando informações e realizando ações conjuntas. Essa prática não era comum até pouco tempo, e isso dificultava a fiscalização.”
Vale ressaltar que a população pode denunciar as suspeitas de tráfico de drogas pelo 197 da Polícia Civil. Todas as denúncias são realizadas em anonimato, sem a necessidade de a pessoa se identificar.