Carroceiro cresceu em bairro onde foi morto pela PM em São Paulo, diz mãe

Aristides Santana conta que, quando criança, Ricardo Nascimento a acompanhava no serviço. Há 30 anos ela trabalha como doméstica para uma família que reside em Pinheiros, na Zona Oeste.

0
30
Aristides recebe apoio de amigos durante o enterro do filho. Ricardo Nascimento, de 39 anos, foi morto pela PM (Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO)

    O carroceiro Ricardo Nascimento cresceu no bairro em que foi morto na tarde de quarta-feira (12) por um policial militar. O homem de 39 anos levou dois tiros à queima roupa na Rua Mourato Coelho, em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo.

Aristides Santana, mãe da vítima, conta que, quando menino, às vezes, ele a acompanhava no serviço. Há três décadas Aristides trabalha como doméstica para uma família que reside em Pinheiros.

Ricardo foi funcionário de um mercado na região e gerente de loja, antes de trabalhar como carroceiro e residir na rua. Aristides afirma que era comum vê-lo recolhendo papelão, mas lamenta a falta de intimidade com o filho. “Não conversava comigo, era fechado”, disse a mãe.

Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo na Rua, deu apoio à Aristides e realizou a cerimônia de sepultamento de Ricardo (Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO)Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo na Rua, deu apoio à Aristides e realizou a cerimônia de sepultamento de Ricardo (Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO)

Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo na Rua, deu apoio à Aristides e realizou a cerimônia de sepultamento de Ricardo (Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO)

Corpo de carroceiro morto por PM foi enterrado nesta sexta (14) (Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO)Corpo de carroceiro morto por PM foi enterrado nesta sexta (14) (Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO)

Corpo de carroceiro morto por PM foi enterrado nesta sexta (14) (Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO)

Ela também afirma que nunca entendeu as razões que fizeram Ricardo viver em situação de rua. “Tinha dia que eu não dormia pensando, meu Deus como pode uma pessoa viver numa situação dessas.”

Na noite de quarta-feira (12), estava em sua casa quando foi avisada do assassinato do filho. “Agradeço a todos que ajudaram ele”, disse sobre as homenagens dos amigos carroceiros e moradores da região.

Na quinta-feira (13), amigos e moradores do bairro protestaram contra a morte e pediram por Justiça. Ela também afirma que foi procurada e irá prestar depoimento no DHPP.

Manifestantes pedem justiça e homenageiam o carroceiro Ricardo Teixeira Santos na Rua Teodoro Sampaio, na Zona Oeste de São Paulo, onde foi morte nesta quarta-feira (12) (Foto: Livia Machado/G1)Manifestantes pedem justiça e homenageiam o carroceiro Ricardo Teixeira Santos na Rua Teodoro Sampaio, na Zona Oeste de São Paulo, onde foi morte nesta quarta-feira (12) (Foto: Livia Machado/G1)

Manifestantes pedem justiça e homenageiam o carroceiro Ricardo Teixeira Santos na Rua Teodoro Sampaio, na Zona Oeste de São Paulo, onde foi morte nesta quarta-feira (12) (Foto: Livia Machado/G1)

Manifestantes acendem velas na rua em homenagem a carroceiro morto por PM (Foto: Lívia Machado/G1)Manifestantes acendem velas na rua em homenagem a carroceiro morto por PM (Foto: Lívia Machado/G1)

Manifestantes acendem velas na rua em homenagem a carroceiro morto por PM (Foto: Lívia Machado/G1)

Aristides teve quatro filhos. Três mulheres e um homem. Uma das meninas morreu aos 21 dias de vida. “Quase morri de chorar. Agora mais um [que foi enterrado]”. O carroceiro foi enterrado na tarde desta sexta-feira (14). A matriarca só conseguiu acompanhar após ser medicada. “Estou aqui porque tomei calmante. Estou dopada”, disse à reportagem do G1.

Sobre o pai de Ricardo, ela conta que ele não era presente e que perdeu o contato, o que a impediu de avisar da morte do filho.

A cerimônia de sepultamento foi realizada pelo padre Júlio Lancellotti, e acompanhada por amigos e parentes. Rosângela Silva, de 34 anos, uma das irmãs do carroceiro, bastante emocionada contou à reportagem que Ricardo gostava de jogar futebol e vídeo game.

Morte

Ricardo Nascimento levou dois tiros na região do tórax por volta das 18h de quarta-feira (12). A reportagem do G1 escutou os tiros e chegou ao local (a Rua Mourato Coelho, perto da Rua Teodoro Sampaio) logo após os disparos.

Testemunhas que viram a ocorrência disseram que o morador estava alterado e segurava um pedaço de madeira. “Baixa o pau, baixa o pau”, teria dito o policial, segundo Maria do Socorro. Em seguida, ao fazer um movimento como se fosse jogar o pedaço de madeira, o policial disparou duas vezes e Ricardo caiu.

Fonte: G1