Hospital público do DF usa gesso para remendar cadeira quebrada

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Morador do Entorno internado em Planaltina usou móvel improvisado para apoiar o pé. Desvio de material será apurado em sindicância, diz diretora da região

Em meio ao desabastecimento de insumos e medicamentos na rede pública, um hospital do Distrito Federal usou gesso médico para remendar uma das cadeiras da unidade. Imagens feitas no último sábado (11) no Hospital Regional de Planaltina mostram o encosto do móvel coberto pelo material, que deveria ser usado na imobilização de pacientes.
Queixando-se de dor na perna, um morador da cidade de Planaltina de Goiás (GO), internado no centro clínico, recebeu uma cadeira remendada com gesso para apoiar o membro. A diretora administrativa da Região de Saúde Norte (Planaltina e Sobradinho), Kelly de Paula Lopes, informou que vai abrir uma sindicância para apurar o caso.
“Vamos investigar o responsável e tomaremos as medidas cabíveis. Não aceitamos desvios de materiais. Diante das dificuldades que estamos enfrentando na saúde, não podemos aceitar que algo assim ocorra.”
Em fevereiro, o Ministério Público do Distrito Federal divulgou relatório que apontava improviso, máquinas paradas, falta de gestão e de material em hospitais da rede pública de saúde. Com quase mil páginas, o documento reuniu observações feitas durante uma série de visitas a oito unidades do DF, entre março e outubro de 2016.
A intenção é de usar a auditoria para cobrar mais investimentos do governo, que prorrogou pela quarta vez a situação de emergência na saúde.
Greve
Além da falta de equipamentos, o hospital de Planaltina também precisou lidar, nos últimos dias, com a greve dos terceirizados da limpeza, que estavam com os salários de março atrasados. Segundo a Secretaria de Saúde, esse débito com foi quitado na sexta-feira (10). No total, houve repasse de R$ 12,3 milhões às prestadoras de serviço.

De acordo com a pasta, a limpeza das unidades de saúde voltou a ser realizada ainda durante o fim de semana. Por causa da paralisação das três empresas que fazem a limpeza dos hospitais públicos do DF (Dinâmica, Apecê e Ipanema), até cirurgias foram suspensas.
Nesta segunda (13), os terceirizados se reúnem com o governo e as empresas em uma audiência no Ministério Público do Trabalho (MPT) para negociar os dias parados durante a mobilização. Uma das prestadoras de serviço, a Dinâmica, atende os hospitais públicos de Planaltina, Sobradinho, Gama, Ceilândia e o Hemocentro.